08 de julho de 2026
Nacional

Índios entregam relatório sobre violações para Comissão da Verdade

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Um grupo de sete xavantes da terra indígena de Marãiwatsédé, em Mato Grosso, entregou nesta terça-feira (23) para Comissão da Verdade um relatório sobre violações que teriam sido sofridas por esta etnia entre as décadas de 1940 e 1960.

O documento, produzido pela Associação Bö'U (Urucum) e pela ONG Operação Amazônia Nativa (Opan), narra ações que teriam sido cometidas por empresários e políticos e que resultaram na invasão da terra indígena.

Marãiwatsédé foi homologada terra indígena em 1998, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. No entanto, após uma batalha judicial, a retirada dos não índios terminou apenas em janeiro deste ano. A remoção foi marcada por confrontos violentos.

O grupo foi recebido pela psicanalista Maria Rita Kehl, que coordena o grupo de trabalho "Graves Violações de Direitos Humanos no Campo e Contra Indígenas". Também participou do encontro o advogado José Carlos Dias, outro integrante da comissão.

Durante o encontro, os índios fizeram a dança da cura, ritual tradicional da cultura xavante.

Os índios relataram que em 1966 a FAB (Força Aérea Brasileira) removeu 263 xavantes para uma reserva a quase 400 quilômetros de distância. Segundo eles, a maioria deles morreu de sarampo pouco dias depois.

Antes da invasão, o grupo disse que havia 3.000 xavantes em Marãwaitsédé. Hoje, a população é de 963 pessoas, segundo eles.

"Me comprometo a ler esse documento e acrescentar ao relatório da Comissão Nacional da Verdade a história dos xavantes da terra indígena Marãiwatsédé", afirmou Maria Rita Kehl.

Ela disse que a comissão pode fazer recomendações ao governo. Um dos exemplos, segundo ela, é que não seja alterada a regra de demarcação de terras indígenas.