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Fotos: Neide Carlos |
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Os preços nas prateleiras já caíram 15% em relação ao mês passado |
Quem foi ao mercado nos últimos dias e desviou os olhos do tão falado tomate já deve ter notado. Desde o mês passado, o preço da carne de frango tem diminuído. A redução já chegou nos supermercados a cerca de 15% e deve continuar. Contudo, enquanto consumidores comemoram de um lado, do outro os produtores estão muito preocupados. Em meio a uma superprodução de frangos, a oferta superou em muito a procura.
O contexto de desequilíbrio foi gerado por uma série de fatores. O primeiro é próprio aumento da produção de frango. “O preço da soja e do milho diminuiu muito. Com o valor da ração baixo, os produtores começaram a forçar o aumento da produção. Eles pensaram que o consumo iria acompanhar”, explica o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde.
Mas não acompanhou. E pior: o sindicalista
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O comprador José Francisco Ishikawa: “Há um mês, o quilo do frango inteiro beirava uma média de R$ 5,00. Hoje, já é vendido abaixo de R$ 4,00" |
afirma que ocorreu exatamente o contrário. “No último mês, o consumo do frango diminuiu 6%”.
Se já não bastasse esse cenário, a situação dos produtores piorou ainda mais por conta de um grande “freio” nas exportações do frango. “As exportações caíram quase 10%”, afirma Maurício Lima Verde.
Além de a carne estar muito cara no exterior, a redução grande nas exportações foi motivada pelo medo da gripe aviária que a China tem passado. “A China é o maior comprador de frangos do Brasil. Por conta desse medo, a política deles é diminuir as importações de frango daqui”.
Todos esses fatores formaram um quadro de “desespero”, segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru, nos produtores de frango. “No último mês, o preço que era pago aos produtores pelos frangos vivos caiu cerca de 30%. Por conta de todos esses fatores, eles estão desesperados com isso”.
O repasse desse valor ao consumidor ainda é considerado tímido por Maurício Lima Verde. Porém, o preço deve diminuir ainda mais nos próximos meses. “Com essa grande oferta, vai ser preciso criar atrativos para vender mais”.
Preços
Apesar de ser considerada ainda tímida, a queda nos preços do frango já pode ser vista nas prateleiras. Há pouco tempo, os valores encostavam e, em alguns casos, até ultrapassavam o preço da carne bovina.
“Há um mês, o quilo do frango inteiro beirava uma média de R$ 5,00. Hoje, já está sendo vendido por uma média abaixo de R$ 4,00”, afirma José Francisco Ismanhoto Ishikawa, que é comprador de um supermercado da cidade.
No estabelecimento, o corte mais nobre, que é o filé do peito, pode ser comprado por R$ 8,99. Já a coxa e sobrecoxa, por R$ 4,99. “Sentimos que o consumo já começou a aumentar. Nossa projeção é de que, na segunda semana de maio para frente, as vendas aumentem ainda mais”, conclui Ishikawa.
Solução?
O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, afirma que a solução para o desequilíbrio gritante entre a oferta e a procura não deve ocorrer em curto prazo. Ele explica que o aumento do consumo não deve resolver a situação.
“Tudo vai depender da exportação. A China pode parar de importar de uma vez e isso piorar ainda mais. Realmente, vai depender de como ficar o mercado lá fora”, complementa Lima Verde.