08 de julho de 2026
Geral

Lagoa do Vitória Régia é desassoreada

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos

Começou o trabalho de dragagem esta semana e a previsão é de terminá-lo em 60 dias

As constantes enchentes que assolam a avenida Nações Unidas trazem um outro incômodo pouco lembrado aos bauruenses. Elas contribuem - e muito – para o processo de assoreamento da lagoa no Parque Vitória Régia. Com a vida dos peixes já ameaçada no local, a prefeitura começou, nesta semana, a reverter esse processo preocupante.

O assoreamento é provocado pelo acúmulo de areia, lixo e outros detritos no fundo de um rio ou lagoa. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, o desassoreamento – também chamado de dragagem – no Vitória Régia será realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e terá duração estimada de 60 dias.

A operação é realizada em conjunto com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que cedeu a draga usada no processo.

“Com as chuvas, muito material foi trazido para dentro do lago. Por isso, iniciamos a limpeza esta semana. Tiramos a água com o resíduo. Depois, é como se ‘peneirássemos’ esses resíduos e devolvemos a água para a lagoa”, conta o titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva.

O trabalho de dragagem começou após consultoria do zootecnista e diretor do zoológico municipal, Luiz Pires. Ele explica que o assoreamento no Vitória Régia realmente estava bastante avançado e que, por conta disso, a vida dos peixes estava ameaçada.

Para se ter uma ideia, havia pontos em que a profundidade tinha cerca de 20 a 30 centímetros, quando o ideal era ter aproximadamente 1,5 metro.

Pires explica que os maiores riscos são em relação à mudança de temperatura da água, que é diretamente afetada pela diminuição da profundidade da lagoa. “Quando a temperatura muda, a superfície de uma lagoa tende a acompanhar mais rápido essa mudança. Já a profundidade demora mais a ter alguma alteração. Como o lago estava sem profundidade, ele mudava rápido de temperatura”.

Em janeiro deste ano, cerca de 30 peixes apareceram mortos às margens da lagoa do Vitória Régia. A provável causa da morte foi asfixia relacionada ao assoreamento. Essa asfixia ocorre por conta da quantidade de oxigênio dissolvido na água. Quando ela está quente, costuma haver menos oxigênio disponível para os peixes. “Por isso, o processo de desassoreamento faz com que, no verão, a temperatura da água não aumente muito e haja maior dissolução de oxigênio”, completa o zootecnista Luiz Pires.

Além da dissolução do oxigênio, o diretor do zoológico explica que essa alteração brusca de temperatura ainda “quebra a resistência dos peixes”, ameaçando a vida existente no local.

Os peixes são animais pecilotérmicos, ou seja, a temperatura corpórea deles varia de acordo com a do ambiente. Nessa época do ano, as tardes costumam ser quentes e as noites e madrugadas, frias.

Como a alteração da temperatura é maior ou menor de acordo com a profundidade, os peixes podem “escolher” qual temperatura ficar. Quando o lago é assoreado, eles não têm essa opção, prejudicando sua resistência e tornando frequentes os casos de animais mortos.


Lago já recebeu limpeza em 2009

Segundo o titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva, a última vez que o lago do Vitória Régia foi desassoreado foi há quatro anos. “Fizemos esse processo em 2009. Porém, dessa época até hoje, muitos resíduos foram carregados de novo para dentro do lado. Por isso, precisamos refazer o serviço agora”, conta.

Um dos casos mais emblemáticos de assoreamento em Bauru foi o da lagoa do próprio Zoológico Municipal. O problema começou após a intervenção da Centrovias para melhoria da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, que liga Bauru a Jaú, e durou anos.

A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a Centrovias revertesse, em 2010, o processo de assoreamento que praticamente “matou” a represa.

Para se ter uma ideia de como o assoreamento é algo preocupante, o problema foi resolvido naquela época, contudo, até hoje, a lagoa não se recuperou totalmente. Conforme matéria veiculada pelo JC no mês passado, o diretor do Zoo, Luiz Pires, disse que a biodiversidade do local só será restabelecida com o tempo.