|
Neide Carlos |
|
|
|
Se melhor proposta pelo Noroeste exigir troca de comando, ele sai |
Com pelo menos duas propostas – ainda não oficializadas, mas que podem ir para o papel em breve –Anis Buzalaf Jr. afirmou ontem que aceitaria deixar a presidência do Noroeste caso uma das possibilidades de investimento seja realmente viável para o clube e exija uma mudança na gestão noroestina.
A aguardada reunião entre empresários bauruenses e o cantor Sorocaba, inicialmente prevista para quarta-feira, acabou acontecendo no início da tarde de ontem. Na verdade, o artista não estava presente, e foi representado pelo empresário Alexis Malavolta, que é natural de Bauru – mas reside na Capital - e cuida dos interesses de Sorocaba no mundo do futebol. A mudança de gestão, entretanto, é uma das exigências para que o grupo de Sorocaba passe a investir no Alvirrubro.
O ex-presidente do Norusca, Toninho Gimenez, e os empresários Rafael Padilha e Emílio e André Brumati foram até São Paulo para conhecer o projeto que Sorocaba tem para o clube. Nenhum deles é ligado à atual diretoria executiva do Noroeste, e a situação do meia Romário pode ser um fator que limite a situação de Brumati e Padilha em uma eventual nova gestão.
“É algo que ainda está em estudo, é difícil ‘virar’ de uma hora para a outra. Pode até virar, mas talvez não seja agora. Esperava algo mais concreto, por enquanto não tem nada”, explica Gimenez, que é conselheiro vitalício do clube, pelo fato de já ter sido presidente da agremiação. Segundo o ex-dirigente alvirrubro, não há prazo para uma nova reunião com o representante de Sorocaba.
Alexis Malavolta foi mais direto, e afirmou que a proposta é de um patrocínio ao clube, na casa de R$ 100 mil mensais (R$ 1,2 milhão por ano). Questionado se o projeto envolve participação em direitos econômicos de atletas, o representante de Sorocaba disse que isso seria discutido em um segundo momento.
“O Sorocaba só entra em projetos sólidos, e isso aqui está em estudo apenas, pode levar um tempo. Gostamos do pessoal de Bauru que vieram em São Paulo, e uma primeira proposta seria de patrocínio master ao clube”, detalha Malavolta.
Não foi procurado
“Ninguém me procurou até agora. Se alguém tem interesse em investir no Noroeste, isso é muito bom, mas precisa falar comigo, ou com o Toninho Rodrigues (presidente do Conselho Deliberativo), as pessoas querem entrar, mas ninguém fala com a gente”, comenta o presidente do Noroeste, Anis Buzalaf Jr.
“Eu abro mão do cargo, mas me mostra uma proposta decente, algo sério. Nem falar comigo vieram falar, eu estou brigado com a minha família inteira por causa de Noroeste, se alguém quiser assumir o clube, vem falar comigo ou com o Toninho (Rodrigues), mas até agora ninguém falou nada”, destaca.
“Põe no papel, a gente passa para o Conselho, sem colocar no papel não tem como fazer nada”, relata Buzalaf, que tem mandato até o final de fevereiro de 2014 – a exemplo do atual Conselho Deliberativo, que é renovado a cada quatro anos. Apenas os ex-presidentes não precisam ser eleitos para o órgão, pois todos se tornam conselheiros vitalícios assim que deixam o mandato.
A Diretoria Executiva tem mandato de dois anos, mas o atual presidente foi eleito seis meses após a reeleição de Damião Garcia, que renunciou ao mandato em setembro de 2012.
Outra gestão
Apesar da proposta envolvendo o cantor Sorocaba ainda estar em um estágio preliminar, a mudança da gestão do clube é exigência para que o artista sertanejo invista no Norusca.
Malavolta afirmou que não conhece a atual diretoria, e que Sorocaba só entraria no clube com as pessoas que estavam ontem em São Paulo. “Não conheço o atual presidente, mas para um investimento deste acontecer, teria que ser com as pessoas que conversaram com a gente, teria que haver uma nova diretoria, pois não conhecemos as pessoas que estão lá atualmente. A gente começaria tudo do zero, começaria de novo as coisas no Noroeste”, explica Malavolta.
O empresário viaja neste final de semana para o Exterior para resolver assuntos relacionados ao meia Victor Andrade, do Santos, e só retorna ao Brasil na próxima quinta-feira, 2 de maio, quando poderá retomar alguma negociação com o grupo de bauruenses.
Malavolta relatou que um projeto como este teria que ser feito com o objetivo de levar o clube para a Série A-1 em um prazo de três anos, e para o cenário nacional em cerca de cinco anos.
Uma eventual nova gestão poderia ser encabeçada pelo empresário Emílio Brumati, e teria como vice um dos empresários presente na reunião de ontem – Rafael Padilha ou Toninho Gimenez.
Plano C?
Outra proposta que pode surgir nos próximos dias seria encabeçada pelo ex-atleta, ex-técnico e ex-dirigente do Noroeste, Vitor Hugo Siqueira. O JC apurou que o empresário interessado em investir no clube seria Oliveira Júnior, que já foi investidor do Ituano e do Comercial de Ribeirão Preto. Siqueira nega que Oliveira seja o empresário em questão, e disse que por enquanto não houve nenhum avanço nas tratativas.
Sem reunião
Por enquanto, o Conselho Deliberativo não tem data para se reunir, segundo o presidente do órgão, Toninho Rodrigues.
Sobre a questão envolvendo uma eventual parceria com o cantor Sorocaba, que exigiria uma troca de gestão, não é algo em discussão neste momento. “Isso não é uma questão “sine qua non” (ou seja, uma exigência), nada foi dito que o Anis precisaria sair”, diz. “O que nós precisamos é de um Noroeste grande, independente do presidente. Até agora, o Sorocaba não apresentou nada, e pelo que eu senti conversando com o Toninho Gimenez, não vão apresentar nada agora”, comenta.
“O Vitor Hugo também não me apresentou nada. Se chegar uma proposta, seja de quem for, temos que analisar e conversar com o Anis. De repente, ele abre mão do cargo, o Anis é um cara que não tem apego ao cargo, se amanhã ou depois chegar alguém aqui com uma proposta concreta e ele tiver que sair, tenho certeza que ele sai. As pessoas precisam entender que o presidente não está apegado ao cargo”, cita Rodrigues.
“Ele (Anis Buzalaf) até teria interesse em sair se realmente houver uma proposta boa para o clube, é que não tem ninguém disposto a assumir mesmo. Se chegar alguém para investir no clube, temos que conversar”, afirma Rodrigues.
Em andamento
O presidente Anis Buzalaf Jr. confirmou que o projeto de “co-gestão” do clube segue sendo costurado pelo Departamento Jurídico, e pode ser finalizado até o final da semana que vem. O projeto consiste em 50 cotas de R$ 2 mil mensais cada. Como contrapartida, os investidores ficarão com 80% da futura venda de atletas, com o clube ficando com os 20% restantes.
A proposta ainda precisa ser analisada pelo Conselho Deliberativo. Somente depois da aprovação, os contratos poderão ser assinados. Por enquanto, cerca de 60% das cotas já estão “apalavradas” entre Buzalaf e empresários da cidade.