09 de julho de 2026
Nacional

Ustra recusa convite para depor em Comissão da Verdade de SP

Folhapress
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O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, 80, recusou convite para prestar depoimento à Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, que apura crimes cometidos na capital paulista pela ditadura militar (1964-1985).

O convite havia sido enviado a sua residência, em Brasília. Como não houve resposta, um assessor do gabinete do vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão, entrou em contato por telefone com o coronel reformado anteontem.

“Ele atendeu muito educadamente, mas disse que não iria aceitar nosso convite. Foi educado no trato e falou que a decisão dele era de não atender nosso convite porque tudo que ele tinha para falar ele já falou e está contido no livro que ele escreveu”, disse Natalini.

Ustra é autor dos livros “Rompendo o Silêncio” (1987) e “A Verdade Sufocada” (2006), em que conta sua versão sobre os anos do regime militar e os crimes cometidos pela esquerda.

O presidente da comissão, entretanto, não se contentou com a resposta e já entrou em contato com a Comissão Nacional da Verdade, que tem o poder de convocação, para que Ustra seja convocado para depor em uma sessão conjunta dos comitês.

“Nós queremos ouvi-lo. Eu insisto em ouvi-lo porque acho que [o Ustra] é uma figura importante no processo. Ele comandou um DOI-Codi na maior cidade do Brasil e a nossa comissão insiste que ele deveria prestar um depoimento”, disse Natalini.

O militar comandou, de setembro de 1970 a janeiro de 1974, o DOI-Codi de São Paulo, o maior órgão de repressão aos grupos de esquerda envolvidos na luta armada contra a ditadura. Ele é acusado de comandar sessões de tortura, o que ele nega.