09 de julho de 2026
Bairros

De 20 ambulâncias do Samu, apenas sete estão em circulação em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Implantado há quase dez anos em Bauru, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vem encontrando dificuldades estruturais para atender a demanda. Conforme o JC apurou, das 20 viaturas existentes, cinco foram desativadas por conta de problemas como desgaste ou acidentes, como é o caso da ambulância que teve perda total após tombar na avenida Nações Unidas, no último domingo. Outras oito, que deveriam estar na ativa, estão paradas há dias em oficinas para o conserto.

Ilustração JC

Das 20 ambulâncias do Samu, apenas sete funcionam; cinco veículos estão desativados e oito em conserto

Resultado: apenas sete funcionam, sendo que, duas delas, atendem apenas chamados de casos mais graves por serem Unidades de Suporte Avançado (USA), espécie de ambulância que contém aparelhagens de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel.

Por conta da situação, a própria coordenadoria do Samu admite que foi necessário o empréstimo de duas ambulâncias básicas, chamadas de “brancas”, do departamento de transporte de pacientes da Secretaria Municipal de Saúde, que ajudam a suprir a demanda das seis bases existentes na cidade.

Mesmo assim, conforme o JC apurou, uma das bases do Samu, localizada no Mary Dota, teria ficado desamparada e algumas bases, que deveriam ter duas unidades móveis, como, por exemplo, as que atendem os Distritos Industriais, Bela Vista e Nações Unidas, tiveram o contingente reduzido em alguns períodos dos dias devido ao remanejamento.

Outra questão que amplia o problema seria a rejeição da população atendida que, observando as unidades “diferentes”, questionava o improviso, nos últimos dias.

“Em alta velocidade os equipamentos acabam caindo porque o veículo não possui armários iguais aos do Samu. Tivemos até casos de rejeição ao atendimento”, comentou um funcionário que não quis se identificar à reportagem.

Questionado, o coordenador do Samu em Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, não nega a problemática. “Não dá para escolher, é o que temos no momento. A viatura é emprestada e não possui a mesma estrutura que as unidades do Samu. Para que o tempo de resposta não fosse prejudicado pelas unidades quebradas tivemos que improvisar”, admite.

Quebradeira

Apesar das sete viaturas estarem funcionando normalmente, o coordenador do Samu confirma o fato de que algumas dessas unidades vão para o conserto toda semana.

Em um quadro existente na sala de atendimentos da sede do Samu, localizada próxima ao Hospital Estadual (HE), é possível notar a velocidade de remanejamento dos veículos.

De acordo com o médico, a expectativa era de que, ontem mesmo, das oito em conserto, duas unidades voltassem da oficina para a ativa.

“Temos ambulância que chega a rodar em um mês o que um carro roda em um ano, por isso o desgaste é muito grande. Uma dessas que deve sair do conserto hoje (ontem), provavelmente, voltará para lá depois de rodar uma semana”, explica o médico coordenador do Samu, frisando, contudo, que a mecânica seria o único problema das unidades móveis, já que o material médico é frequentemente reposto ou até reaproveitado dos veículos parados. “Não temos problema com a aparelhagem médica, a manutenção periódica é feita por uma empresa contratada”, reforça.

Na noite da última quinta-feira, segundo o JC apurou, o escapamento de uma das ambulâncias que atuava na região do Bela Vista caiu e a situação teria sido presenciada pelo próprio prefeito Rodrigo Agostinho.

Das oito ambulâncias em conserto na cidade, uma é de suporte avançado e as outras são chamadas de Unidades de Serviço Básico (USB), que atuam rotineiramente pelas ruas do município.


‘Caveirão’

Condenadas, as viaturas que foram enviadas à cidade logo no início do serviço de urgência, em 2004, estão desativadas e atualmente ocupam os fundos da sede do Samu. Os veículos já foram até apelidados por parte dos funcionários como “caveirão”.

“Umas estão com o motor fundido e ficaria mais caro consertar as outras do que comprar nova, por isso elas estão paradas”, comenta Sacomandi, frisando que esse também será o destino da unidade móvel 223, que tombou no domingo.

Segundo Sacomandi, entretanto, a devolução dos veículos ao Estado e o pedido de novas unidades já foram providenciados.

“O trâmite para devolução e reposição é muito burocrático, mas já foi feito logo no início do ano. Na próxima semana, enviaremos quatro motoristas para buscar quatro novas viaturas do Samu em Tatuí”, informa.