09 de julho de 2026
Bairros

Faltam informação e punição, sobra entulho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

“Para mim isso é falta de amor com o bairro e com a cidade. Fico triste ao ver o município nesse abandono”.  O desabafo é da dona de casa Helena Maria Lúcia Gonçalves, que assim como milhares de outros bauruenses, sofre com os transtornos causados pelo acúmulo de entulho perto de sua residência.

Encontrar escorpiões em casa virou parte da rotina da moradora da quadra 2 da rua Alameda Ciclames, no Parque Vista Alegre. “Esses dias mesmo eu tirei dois de dentro da minha casa, que fica em frente a um terreno baldio usado pela população como lixão. Eles jogam de tudo lá: móveis, eletrodomésticos, material de construção, podas de árvores, animais mortos...” enumera.

De acordo com a moradora, caminhonetes, picapes e até caminhões são vistos durante o dia ou à noite transportando entulho para o terreno que, segundo ela, alguns dizem ser de propriedade privada e, outros, da prefeitura. “É uma coisa horrível. Vem gente de tudo quanto é canto despejar coisas aqui. Não tenho gosto nem de ir até a esquina com meus netos ou meu cachorro. Quem gosta de viver perto do lixo?”, indaga.

Preocupados, moradores que vivem próximo a terrenos usados irregularmente como depósitos de entulho procuram alternativas para amenizar a dor de cabeça. A família de dona Helena, por exemplo, tira o mato que cresce na calçada para evitar que aranhas, cobras, ratos e escorpiões entrem em casa.

“O pior é que a prefeitura levou tudo isso para o aterro há uns seis meses, mas as pessoas voltam a depositar o seu lixo aqui”. No lugar apontado pela dona de casa, a reportagem encontrou ao menos oito sofás, além de cama, guarda-roupas e outros móveis velhos descartados.

‘Sempre foi assim’

Perto da quadra 1 da avenida das Laranjeiras, no Núcleo Geisel, o problema também é crônico. Moradora do lugar há 20 anos, a promotora de vendas Juliana de Almeida Nascimento conta que um grande terreno existente por lá sempre foi usado como depósito de objetos que as pessoas não querem mais em suas casas, desde móveis a entulho de construção.

“O pessoal vem jogar as coisas aqui diariamente. Eles usam carros, caminhonetes e despejam de tudo, mas de tudo mesmo. Para se ter ideia, até frutas, verduras e legumes podres são jogados aqui perto. O cheiro é horrível. E temos muitos casos de dengue no bairro”, preocupa-se.

‘Falta consciência’

Uma enorme quantidade de entulho também se acumula no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Trata-se de um “minilixão” encontrado na vicinal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru/Marília, com a quadra 2 da rua Joaquim de Barros Neto. Para o presidente da Associação de Moradores do bairro, Arnaldo de Jesus Souza, falta ação do poder público e conscientização dos moradores. “Estamos com muitos casos de dengue e isso só aumenta os números. Essa é a minha maior preocupação”, ressalta.

A quem recorrer?

Engana-se quem acredita que entulho é coisa apenas de terreno baldio ou periferia. No caso da quadra 3 da rua Anhanguera, Vila Flores, o que incomoda é o entulho na calçada “sem dono”. Sem dono porque, segundo o empresário Edson Simões, morador da rua, alguém colocou o entulho lá e assim está há meses.

“A calçada fica em frente a uma casa fechada, mas que é usada por pessoas que, aparentemente, invadiram o local. Já falei com a Semma, entrei em contato com a imobiliária que seria a responsável pelo imóvel, e nada. Será que terei de pagar uma caçamba para recolher o entulho alheio?”, pergunta, inconformado.