09 de julho de 2026
Articulistas

Sonho que poderá deixar de ser sonho

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Prezado jornalista João Jabbour, desculpe-me pois eu, um educador, alienando-me do meu campo profissional, educação, pretender ocupar parte do precioso e disputado espaço do JC com matéria onírica, divagando com fatos e realidades que estão bem distantes de Bauru, enfim, fora do seu contexto social. Contexto com problemas polêmicos e importantes como Cohab, dengue, violência nas escolas, no trânsito, drogas e uma infinidade de outros que não convém relacionar. Também me desculpem os entendidos pela ousadia do meu sonho, que foi um sonho como qualquer um pode sonhar, pois o sonho é livre e pessoal.

Reitero pedidos de desculpas pelas bobagens que talvez esteja escrevendo, por minha intromissão, pois humildemente reafirmo não ser da minha área. Mas o que vou escrever é produto de um sonho. Afinal, o JC tem grande culpa nestes meus disparates quando, há dias, publicou a notícia inédita mas benfazeja e que poderá inspirar outros municípios do País: a da inauguração de um poço artesiano, financiado e doado por empresários locais, o qual, com a profundidade de 300m, atingiu copioso lençol freático possibilitando, integrando o DAE e reforçando o abastecimento de água em um bairro.

Acabando de ler a referida matéria que me pontuou duas dimensões importantes, uma social e patriótica - do financiamento e doação, e outra matemática - a da profundidade em metros, uma centelha acendeu-se em meu sonho. A da utilização no futuro, em nosso nordeste, nas regiões marcadas historicamente pelas impiedosas secas, da, obviamente adaptada, a mesma tecnologia que a Petrobras, emprega perfurando poços na plataforma marítima atingindo cerca de 3.000/ 4.000m de profundidade, para, na camada do pré-sal, buscar o petróleo. Pois a realidade das terríveis secas é até justificada e aceita até quando não havia tecnologia para perfurações de poços e emprego das energias elétricas e eólica. Comparando a profundidade do poço de Bauru com as perfurações na plataforma marítima, veio à minha mente através do sonho a triste realidade dos nossos irmãos do nordeste, por ocasião das secas que chegam a durar mais de ano. As tristes cenas de reportagens pela tv, da escassez, dos caminhões pipa que transportam água que apenas ameniza o consumo das pessoas mas que é insuficiente para os animais e plantas. Enfim, as mesmas tristes cenas conhecidas e, infelizmente, já institucionalizadas, que se repetem há decênios, o da terrível seca, e nunca enfrentado pelos governos.

Desculpe-me, mas volta a sonhar ? será que a tecnologia criada e empregada pela Petrobras não poderia ser adaptada na perfuração de poços na região do nordeste brasileiro? Se bilhões de reais estão sendo gastos na demolição e construção de estádios de futebol para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016, outros bilhões não poderiam ser destinados à perfuração de poços artesianos, movidos à energia eólica localizados não nas terras dos políticos e coronéis latifundiários, mas onde necessários sob a responsabilidade e assistência dos municípios? Afinal, se do poço de Bauru jorrou água da profundidade de 300m, pode ser que lá, com o emprego da tecnologia adequada e da vontade política social, também jorre. O problema não é somente dos nossos irmãos do nordeste, mas de todos os brasileiros. Não só do técnico, mas também do professor. A cena final do meu sonho despertou-me assustado, com um caminhão recolhendo as carcaças de miríades de animais que morreram de sede, mas que, afinal, não passam de animais, são irracionais. Mas não os nossos abnegados, persistentes e humildes, irmãos!

O autor, professor Joaquim Eliseo Mendes, é membro efetivo da ABLetras