Hoje, a Polícia Civil deverá ouvir formalmente o comerciante bauruense Fernando Antônio Branco, de 38 anos, encontrado no último sábado depois de 11 dias desaparecido. Informalmente, ele contou à polícia que foi a pé até a cidade de Araraquara, mas alegou não se recordar do que ocorreu durante todo o tempo em que ficou sem dar notícias. O caso segue sob investigação.
Segundo o delegado seccional de polícia de Jaú, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, o pai do comerciante revelou à polícia que, há cerca de oito anos, ele ficou sem dar notícias à família por algum tempo. “Só que, ao invés de um carro, ele estava de moto”, conta. Apesar desse histórico, o delegado afirma que, por enquanto, nenhuma hipótese para o sumiço pode ser descartada.
Ele ressalta que o caso precisa ser esclarecido pelo fato do desaparecimento ter mobilizado durante vários dias grande aparato policial. “Foi mobilizado helicóptero, foi mobilizado a DIG/Dise, ficou uma equipe quase todo o dia sendo cobrada por mim, pelo diretor (do Deinter)”, diz. “Mas não dá para punir ele por falsa comunicação de crime porque ele não comunicou nada”.
O desaparecimento
O comerciante foi visto pela última vez em 16 de abril, quando saiu de casa de manhã para trabalhar no restaurante e marmitaria da família, localizado na vila Souto. No mesmo dia, por volta das 11h30, o carro dele, um Golf de cor prata, foi encontrado abandonado às margens da rodovia Engenheiro Paulo Nilo Romano (SP-225), a Jaú-Brotas.
Apesar das buscas, ele não foi localizado. No interior do veículo, que estava intacto, com as portas abertas e a chave no contato e não apresentava sinais de luta corporal ou marcas de sangue, a polícia encontrou um aparelho de som automotivo, notebook, mochila com documentos, inclusive do Golf, e um só pé de tênis.
Durante os dias que se seguiram, equipes da Delegacia de Investigações Gerais/Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DIG/Dise) de Jaú, sob comando do delegado Gustavo Alonso Garmes, realizaram várias diligências e ouviram amigos e familiares de Branco para tentar descobrir o que havia acontecido com ele.
No sábado à noite, o comerciante foi encontrado caminhando às margens da rodovia Washington Luís (SP-310), em Araraquara, e levado para Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade. Um funcionário da concessionária que administra a via telefonou para o pai dele, João Alberto Branco, e ele foi até Araraquara buscá-lo.
No domingo de manhã, Branco foi ouvido informalmente por Garmes no plantão policial de Bauru e alegou não se recordar do ocorrido. Segundo o delegado, ele se apresenta com bastante saúde, apesar de demonstrar essa perda de memória.
“Vamos dar um tempo para que ele restabeleça completamente suas condições psíquicas para ouvi-lo novamente. Enquanto isso, daremos continuidade ao nosso inquérito policial para que a apuração dos fatos seja concluída” disse. Hoje, o comerciante deverá prestar novo depoimento.