08 de julho de 2026
Articulistas

O deus "Eu"

Luiz Alberto Chaves
| Tempo de leitura: 3 min

Jovem, frágil, carente? muitas vezes inseguro e em busca de um caminho, em busca de Deus, acaba que por chegar ao seminário. Sem discernir corretamente seu chamado, seu carisma e até mesmo as curas pelas quais tem de passar, insiste em ser ordenado padre. No seminário, onde deveria experienciar testemunhos de milagres e encontros pessoais com Deus, pode acabar encontrando outros como a si mesmo, perdidos em meios às dúvidas e sentimentos desencontrados que brotam dentro de si, gerando frutos de situações que até então vividas ainda lhe são despercebidas. Mas uma coisa permanece: buscar o encontro com Deus. Nessa busca, o caminho acaba que por ser equivocado, buscando Deus onde Ele não se encontra. A busca fica cada vez mais intensa e como cavando onde o tesouro não está, o buraco fica cada vez mais fundo e o cavador cada vez mais cansado.

O tesouro já muda de nome, de cor e de valor. O jovem busca dentro de si mesmo, dentro de seus conhecimentos, dentro de uma verdade construída por si mesmo e, enfim, acaba encontrando literalmente e verdadeiramente, para ele, um deus tremendo e terrível: o deus "EU". Este, com uma força incrível, que com a ajuda da igreja se tornou mais seguro e mais pronto para lutar, tem seus próprios valores, suas próprias regras e suas próprias fontes. Assim, o contraste com um tal Deus de Israel, Deus verdadeiro, Deus de Isaac, de Jacó, de Abraão torna o ambiente pequeno para os dois, pois só há espaço para um. Então o deus "EU" começa seu combate, afronta nada mais nada menos que uma igreja construída e constituída de valores por mais de 2.000 anos. O candidato a novo Lutero desbanca os santos padres que tiveram experiências ricas, pessoais e profundas com o Senhor. Agride os Santos como São Francisco, São Pedro, São Paulo e tantos outros que experienciaram milagres na presença do Senhor. Ignora os tantos milagres que a igreja, com ajuda da ciência, reconhece verdadeiros.

Joga no lixo o verdadeiro caminho de salvação. Traz para si e para suas regras, almas que na verdade não têm como salvar, apenas alegrá-las um pouco, e só. Triste saber que tamanho endeusamento se dê por pura falta de coragem e humildade para com Deus. Triste saber que, como Saulo, faz tanto mau às almas achando estar sendo igreja. Triste saber que tamanho esforço para encontrar Deus acaba que por encontrar o seu "eu" mais profundo e, ao invés de ajudá-lo em suas curas, acaba que por piorar suas feridas. Acaba vivendo de migalhas de alegrias passageiras e carnais na barganha da verdadeira e eterna felicidade. É! Faltou fé.

Assim creio ser muitas vezes a história de jovens que vivem a busca pelo encontro com o Senhor. Ainda assim, três coisas me animam neste assunto: - Deus ama esses jovens (talvez já não tão jovens assim) e tem o poder de mudar suas realidades a qualquer instante, mediante a adesão ao Deus verdadeiro em sua igreja verdadeira. - Deus tem o poder de reparar todo mal que possa ter sido gerado por tais membros da igreja. - Os verdadeiros e fiéis cristãos os amam e oram por eles.


O autor, Luiz Alberto Chaves, é leitor e colaborador de Opinião