08 de julho de 2026
Internacional

Bento XVI volta para o Vaticano


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O papa emérito Bento XVI voltou ontem ao Vaticano para a clausura, após passar dois meses na residência de verão de Castel Gandolfo, a 30 km de Roma. Ele foi recebido pelo papa Francisco, antes de ir à clausura no convento Mater Ecclesiae.

Bento XVI chegou ao local de helicóptero por volta das 16h50 locais (11h50 em Brasília), e foi recebido pelo secretário de Estado, Tarcisio Bertone; o governador do Vaticano, Giuseppe Bertello; e o decano do Colégio de Cardeais, Angelo Sodano.

Após a chegada, ele se encontrou com seu sucessor, o papa Francisco, na porta do monastério onde deverá passar o resto da vida. É a segunda vez que os dois pontífices se encontram desde a posse de Francisco, em 19 de março.

Em 23 de março, Bento XVI recebeu Francisco em Castel Gandolfo e disse que dará “reverência e obediência incondicional” ao novo papa. O papa emérito renunciou em 28 de fevereiro, no que foi a primeira vez que um papa entrega o cargo desde o século XV.

Na terça, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, confirmou a mudança, que aconteceu após o fim das obras no convento onde o papa emérito passará o resto da vida. Ele morará no local com seu irmão Georg Ratzinger, 89 anos, que também é padre, e com toda a família pontifícia, como são chamados seus auxiliares. Pouco antes de sua renúncia, o papa disse que iria se “retirar em oração” e viveria seus dias restantes “escondido do mundo”.

Contato

Embora tenha dito que pretende ficar em clausura, Bento XVI poderá manter “frequentes e discretos contatos” com o papa Francisco, já que o mosteiro Mater Ecclesiae se encontra a poucos metros da Casa Santa Marta, onde vive o novo pontífice.

A presença de um papa reinante e de um ex-papa é uma situação nova para a Igreja, mas especialistas dizem que ela só causaria dificuldades caso Bento tente influenciar as decisões de Francisco, algo que ele prometeu não fazer. Alguns estudiosos da Igreja temem que, caso Francisco desfaça algumas das políticas de Bento XVI enquanto ele ainda está vivo, o ex-papa poderia tornar-se um foco para conservadores e polarizar a Igreja.