10 de julho de 2026
Cultura

Vida de Renato Russo: 'Somos tão jovens' estreia

João Pedro Feza com Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Thiago Mendonça treinou por meses para cantar, dispensando playback

Muito, mas muito dificilmente um fã de Legião Urbana sairá do cinema reclamando que foi tempo perdido. “Somos Tão Jovens”, o filme, vem recebendo alguns elogios antes mesmo de sua estreia, hoje.

Isso porque o longa de Antonio Carlos da Fontoura parece ter acertado em cheio na escolha do protagonista aí na foto ao lado - ator Thiago Mendonça, 32, curiosamente o mesmo que viveu o sertanejo Luciano em “Dois Filhos de Francisco” (2005).

Thiago “pegou” o jeito de ser de Renato Russo – o líder da Legião, morto em 1996, aos 36 anos, em decorrência de complicações causadas pela Aids. E Thiago canta de verdade, dispensando playback.

Para não fazer feio, treinou por meses em estúdio com Carlos Trilha – o mesmo que produziu álbuns da carreira solo de Renato. 

O site do filme (www.somostaojovens.com.br) também fez sua parte e caprichou na interação com os internautas. E, de novo em sintonia fina com os fãs, deixa claro que a produção trata Renato como um “mito” – e isso, por si só, já revela muita coisa.

Turbilhão

O roteiro de Marcos Bernstein (coautor do roteiro do sucesso ‘Central do Brasil’) – e diretor de “Meu Pé de Laranja Lima” - leva em conta, é claro, a cena roqueira de Brasília para uma trama passada entre o fim da década de 1970 e os anos 80. Saudosistas vão adorar. Iniciados vão conhecer – e com algum realismo.

Performance que também promete agradar é a de Laila Zaid como Ana – meio amiga, meio amor de Renato.

Sexualidade? Homossexualidade? São abordadas com foco em um Renato juvenil, angustiado, confuso, talentoso, autêntico e polêmico desde sempre. Um turbilhão emocional antes do estrelato – como no filme “O garoto de Liverpool” (2009), que retrata a infância e a adolescência de John Lennon. Mas isso já é outra história.


‘Do rock nacional, todos tiveram influências dele’

1993: um ano antes do lançamento do disco “O Descobrimento do Brasil”, de Legião Urbana; e três anos antes da morte de Renato Russo. Em Bauru, nesta época, um grupo de jovens músicos, tendo como referências Renato Russo e outros ídolos do rock nacional, formavam uma banda cover...  de Legião.

Carlos André Rodrigues, o Turco, era garoto e começava sua carreira. Hoje, com 38 anos, relembra a importância que Legião e Renato tiveram em sua trajetória. “Todos que cantavam rock nacional tinham influências de Renato, Raul Seixas e Cazuza”, resume.

Ele observa que Legião quase não fazia shows. “Em contrapartida,  era uma banda que a gente ouvia muito na rádio. Quando saía um disco, podia esperar que iria tocar direto umas cinco músicas”.

E acrescenta: “Todos comentavam: ‘Ah, eu queria cantar ou escrever como o Renato’. Eu acho que o Renato conseguia unir todas as coisas, e tinha uma atitude rock’n’roll. Apesar da melodia do Legião, é uma banda de rock”, aponta.

E hoje, como é?

“Hoje as músicas continuam aí. O que eu acho curioso é que as músicas não têm aquele refrão marcante, mas as pessoas sabem cantá-las com letras enormes e inteiras”, diz Turco - que, em 2000, fez show de tributo a Renato Russo para 3 mil pessoas no Sesc Bauru.

Sobre o filme? “Espero que não abusem daquela imagem batida, que enfatiza o uso de drogas, o homossexualismo etc.”, pontua Turco.