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Quioshi Goto |
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Pôr-do-sol, ontem, na estrada que liga Bauru a Piratininga, na região do rio Batalha, revela o tempo seco, típico desta época |
Levantamento realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta um paradoxo em Bauru. Apesar do início do período de estiagem, quando as queimadas preocupam e a população mais sofre com o tempo seco, o ar na cidade deve melhorar. Tudo por conta do ozônio, poluente que, segundo o órgão, é o que mais prejudica a qualidade do ar no município.
O estudo da Cetesb foi realizado no Estado inteiro. Em Bauru, o posto de monitoramento funciona na Vila Souto. As medições analisaram três principais componentes poluentes: partículas inaláveis, hidróxidos de hidrogênio e o ozônio.
“Nos dois primeiros quesitos, Bauru passou quase todos os dias de 2012 com a qualidade do ar no nível bom. Por poucos dias, ficou no regular”, explica a gerente da divisão de Qualidade de Ar da companhia, Maria Helena Martins.
Já com o ozônio, foi diferente. Foram 202 dias bons e 157 regulares. Em três ocasiões, o nível de ozônio no ar chegou a ficar inadequado. “O nível regular causa algum desconforto em pessoas mais sensíveis, ou seja, aquelas que têm alguns problemas respiratórios podem ter tosse e ficar mais cansadas”, explica.
Mas, curiosamente, a concentração de ozônio tende a diminuir no período de estiagem. É que, segundo a técnica da Cetesb, o poluente se forma na atmosfera, principalmente, por conta de questões climáticas. “A formação do ozônio ocorre por conta da luz solar e de temperaturas elevadas. Ela se origina das inúmeras poluições do homem, mas sua formação é realmente por conta das condições meteorológicas”.
Assim, há mais concentração de ozônio na primavera e verão do que no outono e no inverno. E, de acordo com Maria Helena Martins, os picos de concentração são registrados no período compreendido entre 13h e 17h.
Mas e a estiagem? Normalmente, entre julho e outubro, não é quando a população mais reclama da má qualidade do ar? Nessa época, o tempo fica mais seco e aumentam as queimadas, o que faz as pessoas sofrerem mais.
“Isso entra na análise das partículas inaláveis do estudo. Tem mais poeira no ar. Porém, a análise aponta que, nesse quesito de poeira, o ar em Bauru ainda ficou predominantemente bom e poucos dias regulares”, finaliza a gerente da divisão de Qualidade de Ar da Cetesb.
Já começou
Porém, se as queimadas não foram suficientes para piorar o ar de Bauru, elas já preocupam o Corpo de Bombeiros. Segundo o comandante do posto, tenente Victor Félix Tozin Bonfim, o problema, inclusive, já começou.
Segundo apurado pelo JC, os bombeiros já atendem uma média de dez ocorrências diárias de queimadas em mato. “No período crítico, que é entre julho e outubro, atendemos entre 40 e 50 ocorrências por dia. Porém, este ano, a estiagem começou mais cedo”.
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, explica que as pessoas que mais sofrem com o ar de Bauru realmente são as que têm problemas respiratórios, como asma e bronquite.
“Tivemos um aumento de demanda grande aqui no Pronto-Socorro, justamente por conta da dengue. Então, não foi possível verificar se aumentou o número de pacientes por conta já da estiagem”, explica.
Ozônio bom X ozônio ruim
O ozônio, segundo a Cetesb, é o que mais preocupa no ar de Bauru. Porém, qual a diferença do ozônio, cuja concentração grande prejudica, com o ozônio que protege a população dos efeitos do sol?
“Nenhuma”, é o que explica a gerente da divisão de Qualidade de Ar da Cetesb, Maria Helena Martins. Segundo ela, quimicamente, é o mesmo composto. “O que muda é onde o ozônio está”.
O ozônio que fica na estratosfera é o responsável por proteger animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Diversas substâncias, principalmente as emitidas por aerossóis, têm destruído essa camada protetora.
Já o ozônio, quando concentrado na superfície terrestre (o que é medido pela Cetesb), contribui para agravar a poluição do ar das cidades e também aumenta a probabilidade de chuva ácida.
Umidade do ar
Um dos fatores do ar que a população mais sente é a umidade. No tempo seco, mesmo o estudo da Cetesb mostrando que o ar não fica inadequado em Bauru, a população sofre com cansaço e os problemas respiratórios.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a umidade relativa do ar chegou ao mínimo de 37%, ontem às 15h10.
Ocorrências consomem tempo dos bombeiros
Hoje, em Bauru, os bombeiros possuem três viaturas de combate a incêndios e um caminhão de água. Além disso, conta com uma aeronave para combater casos de grande proporção. Mesmo com essa frota, as queimadas na época de estiagem consomem o tempo da corporação.
“Cada caso de fogo em mata é preciso empenhar uma viatura por, uma média, de uma hora. É uma viatura que poderia estar apagando um incêndio em residência ou fazendo um salvamento, por exemplo”, explica o tenente Victor Félix Tozin Bonfim.
Ontem mesmo, a reportagem do JC flagrou queimadas ao lado do Recinto Mello de Moraes, no Jardim Ferraz. Os bombeiros foram até o local para controlar o fogo.
Fora tomar esse tempo precioso, há também o risco de o fogo em mato evoluir para algo mais grave. “Com esse tempo seco, é comum o fogo se espalhar rápido e chegar até uma casa”.
Assim, Tozin pede a colaboração das pessoas. “Muitos querem limpar o terreno, juntam o mato e ateiam fogo. Não devem fazer isso. É algo perigoso. Outra causa que vemos muito é a bituca de cigarro. Quando jogada em um matagal, vira um foco de incêndio”, completa o tenente.