Era para ser uma manhã de orientações com o objetivo de ampliar a educação no trânsito em Bauru, mas o desrespeito, principalmente de pedestres e motociclistas, no bloqueio educativo realizado por agentes da Emdurb no bairro Mary Dota, ontem, demonstrou o enorme desafio a ser enfrentado pelas autoridades quando o assunto é a redução da violência no trânsito no município.
Conforme o JC noticiou, as ruas e avenidas de Bauru já foram o cenário de sete mortes em 2013. Dessas, apenas uma não foi por atropelamento e 70% dos casos, conforme a Emdurb, envolveram choques contra motocicletas.
“No ano passado, a maioria das vítimas fatais eram motociclistas. Neste ano, os pedestres passaram a liderar as estatísticas e 50% dos casos envolvem homens e mulheres na faixa etária dos 46 a 60 anos”, frisa o engenheiro do setor de segurança no trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto.
E não é preciso ir muito longe para descobrir alguns dos motivos que auxiliaram na alteração dos dados e transformaram o pedestre na maior vítima e a motocicleta em um dos maiores vilões do trânsito.
Desrespeito
Em um bloqueio educativo voltado para pedestres realizado ontem na quadra 13 da avenida Dr. Marcos de Paula Rafael, no Mary Dota, nem mesmo a presença do Grupo de Operações de Trânsito (GOT), que fiscalizava e auxiliava a ação, foi suficiente para evitar que motociclistas avançassem a faixa de pedestres, mesmo com a orientação de parada, e nem que pedestres atravessassem a avenida em pontos desprotegidos pela sinalização.
“Às vezes até quero parar, mas a pressão dos carros e das motos que estão atrás é muito maior”, defende o motociclista Fernando Santos, 28 anos.
Já a aposentada Araci Vendramin, 72 anos, afirma que sempre atravessa pela faixa. “Mas desta vez estava com pressa e nem notei que o chão não era pintado”, justifica.
De fato, durante a presença da reportagem no local, a travessia de pedestres na avenida fora da faixa era algo comum.
Outras duas situações flagradas envolveram motocicletas. Em uma delas, um rapaz em uma moto Honda/CG escura acelerou ao receber o sinal de parada do GOT enquanto o passageiro tapava a placa do veículo com as mãos.
“Infelizmente falta consciência. Nossa parte estamos fazendo. Nas próximas campanhas iremos focar os motociclistas. A faixa precisa ser mais respeitada por todos”, lamenta Nelson.
Mais respeito no trânsito é sinônimo de segurança para pedestres e cadeirantes, como o aposentado Alcides Bianchi, 66 anos, que passa minutos à beira das vias todos os dias esperando a boa vontade dos motoristas. “É complicado atravessar, tem que esperar uma brecha para poder seguir em frente”, afirma.
“É importante o pedestre respeitar a faixa para que os motoristas também respeitem. Sempre procuro a faixa para atravessar”, finaliza a diarista Terezinha Martins, 44 anos, que atravessava a avenida pela faixa acompanhada das filhas Beatriz e Bianca para ir ao supermercado.
Mais bloqueios
Outras três ações semelhantes ao bloqueio educativo de ontem serão realizadas no dia 17 de maio na avenida Moussa Tobias, no dia 29 de maio no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Professor José Ranieri e no dia 21 de junho no Calçadão da Batista de Carvalho.