08 de julho de 2026
Polícia

Após 7 meses foragido, Solon é preso

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: Neide Carlos

Solon Prieto Hadba, 21 anos, é apontado como o autor do disparo que quase tirou a vida da advogada Idalina Barbosa

Na tarde de ontem, a Polícia Militar (PM), por meio das equipes de Força Tática, colocou fim a uma procura que já durava sete meses. Após denúncia anônima, Solon Prieto Hadba, 21 anos, foi localizado na casa de seu pai, localizada na Vila Zillo. Ele era o último foragido entre os acusados da tentativa de latrocínio da advogada Idalina Aparecida Lorusso Barbosa, 46 anos, no Jardim Estoril 3.

Durante os sete meses em que Solon ficou desaparecido, a polícia o procurou em diversos lugares. “Revirou” Bauru e chegou até a procurá-lo em Santos. Ontem, ele foi encontrado por volta das 15h30 dentro de um armário na casa de seu pai, localizada na quadra 3 da rua Guido Zambonato.

“Recebemos uma denúncia e fomos verificar. Cercamos todo o imóvel. O pai do Solon nos

O tenente Bruno Mandaliti Scarp, da PM, conta que

o foragido estava escondido em um armário

recebeu, mas negou que o jovem estivesse em casa”, conta o tenente Bruno Mandaliti Scarp, comandante do 1º Pelotão de Força Tática da PM.

Após insistência da PM, o pai solicitou a presença de um advogado e permitiu que os policiais entrassem no sobrado. “Entramos e ele havia desaparecido. Foi então que começamos a procurar”.

Solon, que ficou tanto tempo sumido, tentou fazer sua mágica mais uma vez. “Ele entrou em um armário e colocou as roupas na frente. Assim, quando abrimos o armário, só achamos as roupas”.

Contudo, os policiais, em posse do mandado de prisão preventiva, conseguiram encontrá-lo. Solon Hadba foi preso e conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Negou

Na entrada da superdelegacia, Solon negou o crime. Questionado sobre o motivo de ter disparado contra a advogada, ele disse: “Não fiz nada”. Sustentou também essa versão para as polícias Militar e Civil.

O pai de Solon também o acompanhou até a CPJ. Ele não quis conceder entrevistas, porém, brevemente, alegou a inocência do filho. “Não quero falar nada. Esperem o julgamento. Aí vocês vão ver quem é o verdadeiro culpado”.

Solon Hadba foi ouvido e encaminhado à Cadeia Pública de Avaí. Na segunda-feira, ele será

Solon foi conduzido à Cadeia Pública de Avaí

transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde aguardará o julgamento.

A reportagem tentou contato com o advogado que irá defender o jovem, contudo, há um único telefone registrado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que está desativado.


‘Ficamos aliviados’, desabafa advogada

Mesmo tendo corrido risco de morte por vários dias, a advogada Idalina Barbosa não ficou com sequelas da tentativa de latrocínio. Pelo menos não sequelas físicas. “Não é fácil superar tudo o que vivemos. Acho que esse medo ainda vai demorar a passar”, disse.

Ao saber da prisão de Solon Hadba, ela não esconde: “Ficamos aliviados”. E o alívio não é só da advogada que foi vítima do jovem. “É um alívio para todo o bairro”.

Solon foi preso na casa de sua família, que fica próxima à residência da advogada. “Eu sempre achei que ele estivesse ali. Falei esses dias para meu marido”, revela. Conta também que nunca desacreditou no trabalho da polícia. “Só tenho a agradecer”.

As palavras da advogada passam a impressão de um crime que finalmente foi fechado. O mesmo sentimento do delegado Kleber Granja, responsável pelo caso. “É um ciclo que se fecha. Foi um excelente trabalho da Polícia Civil e da Polícia Militar”.

Ele ouviu Solon Hadba ontem. “Ele nega tudo e diz que não participou do crime. Diz que nem conhece os outros envolvidos”.

Granja participou das audiências preliminares dos outros dois acusados. “Está bem acelerado”, conclui o titular da DIG.


Mesmo foragido da Justiça, o jovem atualizava postagens em rede social

“Tempo bom que não volta mais”. A foto publicada no dia 28 de março de uma turma de amigos poderia ser algo comum nas redes sociais. Contudo, a postagem foi feita no perfil de Solon Prieto Hadba.

Solon é um jovem de classe média que veio de uma família tradicional de Bauru. Tanto que ele mora na Zona Sul da cidade, perto de onde o crime ocorreu.

Preso ontem, ele já tem passagens na polícia por, segundo a PM, outro roubo. Seu irmão também está preso por crime semelhante. Também esteve envolvido em um assalto a uma família bauruense tradicional.

Além da postagem da foto de amigos, foi postada também uma mensagem ao irmão. Outras atividades recentes, como a aceitação de novos amigos, também podem ser constatadas.

“Isso só demonstra a frieza e ousadia dele. Ele debocha das instituições legais e mostra que não se arrependeu de nada”, afirma o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

No perfil, consta que ele estava no Rio de Janeiro. Na verdade, estava mais próximo do que todos imaginavam.


Vítima ficou vários dias internada

A advogada Idalina Aparecida Lorusso Barbosa, 46 anos, foi atingida por um único disparo quando chegava em casa, no Jardim Estoril 3, na noite do dia 4 de setembro do ano passado. Ela foi ferida na região das costelas e ficou internada em estado grave no Hospital Beneficência Portuguesa.

A mulher, que também é funcionária da Unesp e ex-policial militar, foi surpreendida por três assaltantes na garagem de sua residência. Pouco tempo antes, eles já haviam rendido o marido dela, de 49 anos, a filha de 15 anos e o filho de 18 anos.

Um dos assaltantes atirou contra o Corolla da advogada, que conseguiu dirigir por duas quadras e pedir socorro. Após o disparo, os assaltantes fugiram a pé levando joias, dois celulares e duas armas da família.

Quando os homens saíram, o marido de Idalina tentou reagir e disparou pelo menos quatro vezes com uma arma calibre 32 em direção aos criminosos, que não foram feridos. Por conta de ter usado uma arma que estava registrada em nome de seu pai, ele foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo, pagou fiança e foi liberado na manhã seguinte. O processo contra ele foi arquivado cerca de um mês depois.


Os outros presos

Solon Hadba é acusado de ser o mentor do assalto e também quem disparou contra a advogada. Os outros dois envolvidos seriam seus “amigos de futebol”. Danilo Rodrigues dos Santos, 21 anos, foi preso pela PM no Centro da cidade, dois dias após o roubo, tentando comercializar joias levadas da residência da advogada.

Na ocasião, além das joias, a polícia conseguiu recuperar em um terreno próximo ao local do crime uma bolsa com quatro armas de fogo – duas delas roubadas da casa.

No dia 2 de novembro, o outro acusado foi preso em uma chácara às margens da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Renno (SP-225), a Bauru-Ipaussu. Alex Ferreira de Oliveira, 23 anos, estava em uma festa e tentou despistar os policiais com uma identidade falsa.