10 de julho de 2026
Política

Bauru e região dão a largada para a Conferência Nacional de Educação

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Priscila Medeiros/Divulgação

Secretários e prefeitos de 90 cidades estiveram no auditório do Sesi-Horto

Prefeitos e secretários municipais de Educação de 90 cidades das regiões de Bauru e Marília estiveram, ontem, reunidos no auditório do Sesi-Horto e deram o start nas discussões que devem culminar na Conferência Nacional de Educação (Conae), que acontece no ano que vem. Antes disso, porém, os dirigentes vão organizar a etapa intermunicipal do debate, que acontece no próximo mês.

Para Vera Casério, titular da Educação em Bauru, o envolvimento da população e da sociedade civil organizada nas discussões é fundamental para os avanços no setor educacional. “Todos os conselhos e entidades precisam se engajar. A participação popular é um dos termos do lema da conferência nacional, que destaca também a cooperação federativa e o regime de colaboração”, pontua.

A secretária disse estar satisfeita com o engajamento dos dirigentes que participaram do encontro de ontem. Obrigatoriamente, todos precisam realizar suas conferências municipais antes dos dias 19 e 20 de junho, quando acontece a etapa intermunicipal da conferência, na Instituição Toledo de Ensino (ITE), da qual participarão 3.690 delegados das 90 cidades inseridas na região.

Este encontro vai acontecer na ITE e vai eleger 100 delegados, representando diversos segmentos, para a Conferência Estadual de Educação, que acontece no segundo semestre. A etapa municipal de Bauru está marcada para o dia 5 de junho.

Vera Casério explica que, em cada uma das etapas, serão constituídos grupos de trabalho que promoverão o debate em oito eixos propostos pelo Ministério da Educação (MEC). Os delegados farão suas inscrições por um site que estará disponível na página da Prefeitura de Bauru, quando já vão escolher o tema sobre o qual desejam se aprofundar.

Entre os eixos de discussão estão: Educação e Diversidade; Justiça, Inclusão e Direitos Humanos; Condições de participação e aprendizagem; Remuneração, carreira e financiamento da Educação; entre outros. “Todos são de extrema importância e levantam temas contemporâneos”, avalia a secretária.

Educação pública

Vera Casério entende que, para a Conferência Nacional de Educação, um dos principais desafios será discutir políticas públicas que possam se tornar efetivas para, principalmente, garantir as mesmas condições de ensino e aprendizagem para os estudantes das escolas públicas.

“Quando a escola é de qualidade, consegue garantir aos alunos a mesma situação dos estudantes da rede particular. Mas não basta que só algumas consigam. Todas precisam oferecer essa condição”, pontua.

Acesso

A secretária de Educação confirma que a universalização da educação ainda é um desafio nacional. Segundo ela, em Bauru não há falta de vagas no ensino fundamental, cuja responsabilidade é compartilhada com a Diretoria Regional de Ensino da Secretaria do Estado de Educação.

“Apesar disso, há uma preocupação em relação ao ensino médio. Muitos adolescentes que concluem o fundamental não continuam estudando. Precisamos ter um diagnóstico disso e buscar formas de reverter este cenário”, diz.


Desafio local: ensino infantil

Vera comenta ainda a legislação que torna obrigatória a universalização do ensino infantil para crianças a partir dos 4 anos de idade a partir de 2016. “Já não temos crianças com 5 anos sem vagas. Com 4 anos, temos 99 na fila de espera e esperamos solucionar este déficit entre o final deste ano e o início de 2014.”

Em reportagem recente, o JC mostrou que o município espera que a construção de mais cinco escolas de ensino integral e a ampliação de várias outras consigam atender a demanda. Anteriormente, os pais eram obrigados a matricular as crianças a partir dos 6 anos.

Atualmente, Bauru conta com 62 instituições públicas de educação infantil, entre escolas municipais de ensino infantil (Emei) e de ensino infantil integral (Emeii).

A nova lei também coloca mais rigidez no ensino infantil. Agora, os pequenos precisam cumprir 800 horas anuais distribuídas em um mínimo de 200 dias de trabalho educacional. “Essas mudanças não necessitarão de muitas contratações. Serão contratados alguns professores para as novas unidades e também para reposição”.

A preocupação maior é com a jornada parcial dos professores. Hoje, ela é de 3 horas e 30 minutos em Bauru. A lei determina que o mínimo seja de 4 horas. “Aqui, os professores usam essa meia hora para atividades extras sem os alunos. Isso vai ter que mudar. É algo que nos preocupa. Eles já têm sua rotina estabelecida. Vamos ter que aumentar essa jornada e nos acertar”, finaliza a secretária municipal da Educação.

Celso Zonta, Vera Casério, Rodrigo Agostinho, Clóvis Pereira e Luiz Henrique Herrera durante preparação para o evento