08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

José Ibrahim


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Faleceu mais um daqueles que contribuíram de forma decisiva para a redemocratização de nossa Pátria, colaborando com o próprio sangue para adubar a terra árida em democracia e liberdade, durante os hoje romanticamente chamados "anos de chumbo". Surgiu no cenário político em 1968, ocasião em que, como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, liderou a greve da Cobrasma, primeiro movimento grevista reivindicatório pós-golpe militar de 64, e em decorrência deste movimento foi cassado enquanto líder sindical e demitido da Cobrasma, onde havia começado a trabalhar aos quatorze anos de idade. Engajou-se na militância da Vanguarda Popular Revolucionária ? VPR, ao lado do companheiro de sindicato e greve Zequinha Barreto, tendo sido preso em 69. Zequinha, em liberdade, acompanhou o capitão Carlos Lamarca para o sertão da Bahia, onde foram mortos pela repressão, em Buriti Cristalino. Ibrahim ficou preso do DOPS da General Osório, em São Paulo, onde foi selvagemente torturado. Por ocasião do sequestro do embaixador americano Charles Elbrich, foi colocado em liberdade em 7 de setembro de 1969, juntamente com outros 14 presos políticos da época, dentre eles o sargento Onofre Pinto, um dos fundadores da VPR.

Passou 10 anos exilado, banido do território nacional, vivendo como apátrida, somente retornando ao país em 1979, depois da Lei de Anistia. Ajudou a fundar o PT e foi deputado federal por São Paulo, saindo posteriormente do partido, continuando a militar no movimento sindical. Indiscutivelmente, José Ibrahim foi uma das maiores lideranças sindicais surgidas depois do Golpe de 1º de Abril, coerente e revolucionário.

Sua morte deixa uma lacuna difícil de ser preenchida, principalmente em uma época onde a ideologia e os efetivos compromissos com os interesses populares são deixados de lado, propositadamente.


Antonio Pedroso Júnior