Bauru tem um padre excomungado. Isto é histórico. O Google e as redes sociais estão repletos destas manchetes, mas o que chama a atenção são as chamadas: Padre que defende a homossexualidade, os gays, a bissexualidade, podada a liberdade de expressão, etc, aludindo que a conclusão do fato se deu somente por estes motivos. Tentam fazer do padre Beto um mártir e do bispo seu algoz. Senhores, se informem melhor. O pe. Beto, sem dúvida, é dotado de grande brilhantismo, de eloquência e conhecimentos invejáveis no que muito a Igreja colaborou. Lhe proporcionou uma vida com muito tempo de sobra achando que estavam investindo na sua formação. Ele nunca teve vida pastoral, nunca teve paróquia, rezava duas missas por semana.
Temos padres que rezam mínimo uma por dia e 5 nos finais de semana enquanto estamos descansando, Há comunidades rurais às vezes a 20 ou 30 km de distância. Esperava-se que houvesse o retorno na formação dos jovens e de tantos outros, quase que as comunicações ficaram em suas mãos. Aí ele começou a se projetar na mídia, nas escolas, tornou-se um "pensador". Passou a achar que podia andar na frente de tudo e cria o "Evangelho Segundo Eu Mesmo", contrapondo-se cada vez mais contundentemente às tradições da Igreja, principalmente os dogmas.
No "seu evangelho", o que está na Bíblia não vale porque não foi inspirado pelo Espírito Santo, é tudo fruto da cultura da época. Será que Jesus numa hora destas também não vai ser fruto da cultura da época e ai vai acabar aparecendo outra entidade no lugar dele? Quando achou que era hora, com a chamada Bauru TV, elabora a sua obra-prima e dispara contra tudo o que é doutrina como se fosse o Logos Divino a quem tudo foi revelado. Suas declarações desmoralizavam o árduo trabalho da Pastoral Familiar. Nunca obedeceu à hierarquia que lhe foi muito tolerante em nome da caridade. Será que uma pessoa de 82 anos e de fé devocional é igual a, no entendimento, um jovem de 20 anos? Nem se preocupou com o choque que das pregações. Admoestado pelo seu pastor, pensou: "é agora ou nunca" e executa um plano achando que haveria uma grande comoção de seguidores colocando o bispo em saia justa e provocando a inversão de papeis entre os dois.
Convoca a imprensa (coisa de celebridade) no sábado para anunciar a renúncia na segunda, porém, utiliza o tempo e reza duas missas de despedida. É obvio. Se renunciasse no sábado não teria super-missas; se na segunda não teria o final de semana para as pessoas pensarem. Existia uma tese: "se não deu para sair como celebridade, vamos tentar pelo menos como mártir". No domingo, publica no outro diário, onde é colunista, um "Desabafo". Punhos cerrados de quem não abre a guarda, olhar de deboche e em destaque uma piadinha ridícula insinuando os suspiros das moças já que ele manteria o celibato. Deu no que deu. Ele não contava com esta e agora precisa fazer parecer que sai por cima - "ainda bem que não tinha fogueira". Vai conviver com o rótulo de excomungado que diz não ter importância.
Duvido. As vezes falava coisas desconexas como na homilia gravada de 17-03 - "os homofóbicos são pessoas que "gostam da fruta, mas como não tem coragem de assumir condenam os demais". Que chulo! Quem ele apoia? Ou depende do ambiente? Neste dia enfatizou com veemência a primeira parte do evangelho Jo 8, 1-11 "Quem não tiver pecados atire a primeira pedra", mas omitiu a segunda: "Vá e não peques mais". É só um exemplo. Afirmou: "Se a Igreja mudar eu volto". Disse o blogueiro da Veja: "Está dando um ultimato à Igreja". Onde está a "reflexão"? Só pensou nele. Mas o tempo é o senhor da história. De Galileu, Joana D?arc, Copérnico, o mundo todo ainda se lembra. Como será sua vida sem a Igreja? Tomara que encontre 800 pessoas dispostas a ouvi-lo semanalmente como era dentro da Igreja, tomara que profissionalmente seja bom mesmo e não só um padre polêmico.
Tomara que tenha evangelizado verdadeiramente seus "seguidores" e não façam como ele, deixando a Igreja. Com sua inteligência, poderia ter lidado muito melhor com isto tudo, mas a soberba e o egocentrismo estão encarnados. A Igreja esperava muito dele, poderia ter sido uma estrela de primeira grandeza, mas optou por ser uma estrela cadente. Que Deus o ilumine e o console e a todos nós. Quem sabe Lc 15, 11-21 aconteça. Proponho aos católicos de Bauru que tiremos os holofotes desta cena, de acordo com o bispo, "pondo fim a esta dolorosa situação".
Paulo Roberto Franco