Dependente do medicamento desmopressina, Maria Benedita Gomes dos Santos, 67 anos, passa por uma situação delicada. Portadora de diabetes há 11 anos, ela faz uso do remédio que recebe gratuitamente pelo Estado, duas vezes por dia, no entanto não consegue retirar o medicamento desde março deste ano em uma farmácia de alto custo. A justificativa: o remédio está em falta.
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Neide Carlos |
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Maria Benedita Gomes dos Santos não recebe o desmopressina desde março |
Em entrevista ao JC, Maria Benedita explicou que começou a fazer uso do DDAVP depois de uma cirurgia na hipófise, glândula responsável pela produção de vários hormônios, entre eles, o antidiurético. Como a medicação custa entre R$ 150,00 e R$ 200,00, ela conseguiu uma liminar na Justiça para retirar o medicamento gratuitamente na farmácia de alto custo.
“Eu faço uso do remédio duas vezes ao dia. Então consumo duas caixas por mês, já que em cada caixa há 30 comprimidos. Se eu não tomar o remédio, posso até morrer. Não tenho condições financeiras de comprar, porque é muito caro. Só tenho pílulas para essa semana. Não consigo retirar o medicamento desde março, eles falam que não tem. Estou desesperada”, desabafou.
Em falta
A reportagem do JC confirmou com a Associação dos Diabéticos de Bauru que outros pacientes também reclamaram da falta do medicamento na farmácia de alto custo.
Em resposta aos questionamentos feitos pelo JC, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo confirmou, em nota, que houve um desabastecimento pontual do medicamento desmopressina (DDAVP), provocado por excesso de demanda.
“Entretanto, para suprir a necessidade da paciente Maria Benedita Gomes dos Santos, a secretaria fará o remanejamento do medicamento de outra unidade estadual.
O remédio estará disponível para retirada na próxima quarta-feira, 8 de maio. Vale destacar que esse medicamento não é contemplado pela lista de distribuição gratuita via Sistema Único de Saúde (SUS), preconizada pelo Ministério da Saúde”, disse o comunicado. A paciente conseguiu a gratuidade do medicamento só depois de acionar a Justiça.
Medicamento especializado
Segundo a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, para solicitar um medicamento de alto custo é necessário que o paciente tenha laudo de solicitação, avaliação e autorização de medicamentos dos componentes especializados da assistência farmacêutica, devidamente preenchido pelo médico responsável; prescrição médica em duas vias, também devidamente preenchida e assinada pelo médico responsável; cópias de documentos pessoais – identidade, comprovante de residência com CEP e Cartão Nacional de Saúde (CNS); dependendo do diagnóstico do paciente, também poderão ser pedidos outros documentos de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.
Em posse de todos os documentos listados, o paciente deverá entrar com o pedido em uma farmácia de dispensação de medicamentos especializados da cidade.