08 de julho de 2026
Nacional

Comer fora de casa sobe 140% em 10 anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O gasto do brasileiro para comer e beber fora de casa aumenta há uma década acima da inflação.


Desde 2003, acumula alta de 143%, bem acima da variação de 82% do IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação, o IPCA -só muda o período de coleta, que se encerra no dia 15 de cada mês.

Reprodução/UOL

O gasto do brasileiro para comer e beber fora de casa aumenta há uma década acima da inflação

Em sete desses dez anos, refeição, lanche e bebidas em restaurantes subiram mais do que a comida comprada para consumir em casa.


Não é à toa que pipocam queixas de consumidores e movimentos como o Boicota SP, que explicitou preços abusivos e expô-los na internet, como um saco de pipoca vendido no cinema a R$ 22, uma esfiha no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a R$ 9,80 e um refrigerante de dois litros a R$ 18,90, servido nas mesas de uma padaria.


O site Boicota SP, criado pelo publicitário Danilo Corci, já tem 120 mil visitantes por dia.


"Tive a ideia porque gastava num chope e uns petiscos com amigos na Vila Madalena [bairro boêmio de SP] R$ 40 há um ano. A conta agora sai por R$ 80", afirma.


Ele conta que já recebe reclamações de todo país e prevê publicar em meados deste mês também preços abusivos e nomes de estabelecimentos de outras cidades.


Hábito


Para especialistas, o hábito de comer fora encareceu mais do que a inflação com o aumento dos alimentos e custos maiores, como mão de obra (talvez o mais pesado com ganhos reais do salários mínimo nos últimos anos).


O economista da Fundação Getulio Vargas André Braz destaca outro fator de pressão, a disparada dos aluguéis comerciais. "Com a valorização imobiliária nos grandes centros urbanos, os aluguéis têm tido uma valorização relevante."


Outro motivo para a alta é que o mercado de trabalho aquecido, que fez a renda subir e criou uma nova classe de consumidores, que passaram a frequentar mais restaurantes. Além disso, com o crescimento do emprego e mais mulheres no mercado de trabalho (e com menos tempo para cozinhar), comer fora tornou-se uma hábito mais frequente.


"Mais famílias têm ido usualmente a restaurantes, o que gera uma pressão de demanda. O consumidor, no entanto, deve impor o seu limite e reduzir as frequências aos locais que subirem muito os preços."


Segundo Marcelo Moura, economista do Insper, o avanço do rendimento e do emprego fez crescer a demanda por refeições fora de casa e permitiu ainda "um repasse maior de custos mais elevados" dos estabelecimentos, sobretudo a mão de obra.


Hortaliças


O curioso é que neste ano comer em casa subiu mais com o choque dos alimentos no Brasil devido ao clima desfavorável que fez disparar o preço de hortaliças, legumes e frutas -cujo caso emblemático é o tomate- e no exterior com quebra de safra de grãos em grandes produtores como os EUA.


Com isso, a alimentação no domicílio subiu mais (15,45%) do que fora de casa (10,49%). Em ambos os casos, porém, as altas superam as do mesmo período de 2012 e a inflação pelo IPCA-15 em 12 meses até abril (6,51%).


Comer em casa, porém, ainda é mais barato -custa, em média, um terço do valor da refeição em restaurantes, segundo especialistas.


O especialista da FGV, no entanto, diz ainda que a tendência para os próximos meses é de uma desaceleração dos custos do alimento, resultado da desoneração de itens da cesta básica, em vigor desde março, e de uma safra de grãos "mais robusta" neste ano.