Pedro Bertoldo da Silva Junior, 21 anos, baleado no tórax por um policial militar à paisana, anteontem à noite, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), depois de resistir à ordem de prisão, morreu quando era submetido a cirurgia na Santa Casa. Horas antes, o amigo dele, Anderson Renato de Almeida, da mesma idade, havia morrido com um tiro na cabeça depois de disparar contra o policial, que revidou. T.S.S., 21 anos, que conseguiu fugir, deve se apresentar à polícia hoje. Eles residiam no jardim Maria Luíza IV e foram até a residência de um morador do jardim Rosa Branca para matá-lo.
Segundo o delegado Richard Serrano, titular do 2º Distrito Policial (DP) de Jaú, o desentendimento entre os jovens teve início no último sábado, em um local ermo no jardim Juliana onde grupos de amigos costumam se reunir para consumir bebida alcoólica e ouvir música. Na ocasião, uma menina que “ficava” com um deles estava na companhia do morador do jardim Rosa Branca, identificado apenas como Dênis. Irritado, o jovem teria agredido a garota, mas foi impedido por Dênis, que entrou em luta corporal com ele e levou a menina embora.
Na noite de anteontem, o namorado supostamente traído e dois amigos, todos com armas de fogo, foram até a residência de Dênis, na rua Romano Matiello. Durante a discussão, o morador foi atingido com uma coronhada na boca. O irmão dele tentou defendê-lo, entrou em luta corporal com um dos agressores e acabou levando uma coronhada na cabeça. De acordo com o delegado, em seguida, os dois irmãos e o pai conseguiram correr para dentro da casa. “Um deles efetuou diversos disparos no muro, num carro e na parede da casa”, conta.
Um vizinho que presenciou as agressões foi até um bar próximo e relatou os fatos a um soldado da PM que estava de folga. Segundo Serrano, o policial, que não teve o nome divulgado, foi até o local, identificou-se e pediu para que os três jovens largassem as armas, mas foi recebido a tiros. Ele revidou e acabou atingindo Pedro, conhecido como “Pedrinho”, no tórax. Anderson, conhecido como “Nenê”, arrastou o amigo até o cruzamento com a rua Leonardo Pedro Forte, tirou a arma da mão dele, e atirou contra o soldado. Ele levou um tiro na cabeça e morreu no local.
Pedrinho foi socorrido pela viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e conduzido ao PS da Santa Casa, mas morreu durante uma cirurgia. Uma pistola calibre .380, que estava com os acusados, e a arma do policial, uma pistola calibre .40, foram apreendidas e irão passar por perícia. De acordo com a polícia, as outras duas armas foram levadas por T.S.S., que fugiu em uma motocicleta. Um inquérito policial militar foi instaurado para apurar a conduta do soldado.
Investigações
Ontem, após receber uma denúncia anônima, a PM deteve um homem de 35 anos, que seria T.S.S., e o levou à delegacia para que as vítimas o reconhecessem. “No final da tarde, conseguimos outra informação de que o autor não era aquele que estava com a gente, mas sim o irmão dele, que está foragido”, revela o delegado. “Nós demos um prazo de 24 horas para o advogado apresentá-lo. Se não apresentar, nós vamos pedir a prisão temporária dele”.
O caso foi registrado como homicídio, ameaça e disparo de arma de fogo. Além da realização de exame residuográfico em todos os envolvidos para detectar a presença de pólvora nas mãos deles, Serrano informou que aguarda o resultado dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do local para anexar ao inquérito policial. Ele não descarta a participação de um quarto envolvido nos fatos.