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Fotos: Quioshi Goto |
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Maria de Lourdes, Joana e Mafalda paparicam o novo xodó da família |
Não foi da noite para o dia, mas quase isso. Em apenas oito noites e oito dias, a vida da empresária Joana dos Santos Oliveira, 28 anos, foi alvo de uma drástica e prazerosa revolução. Dona de salão de cabeleireiros, casada e, até então, sem filhos, de súbito ela viu-se mãe, com um pequeno “pacotinho” nas mãos, que pesou 2,825 quilos, chamado Helena.
A descoberta da gravidez a pouco mais de uma semana do parto mobilizou toda a família, em especial três gerações de mulheres. Além da própria Joana, ainda atordoada, a gestação-relâmpago ganhou o apoio da mãe da empresária, Maria de Lourdes dos Santos, 54 anos, e da avó, Mafalda Trevisan dos Santos, 83 anos.
Como usava um anel vaginal contraceptivo e não parou de menstruar, a cabeleireira jamais
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A mãe Joana dos Santos Oliveira, a avó Maria de Lourdes e a bisavó Mafalda dos Santos “babam” na pequena Helena |
desconfiou da gravidez. Quando começou a ganhar peso, de pronto iniciou uma dieta alimentar. “Além de restringir a quantidade de comida e ir para a academia, continuava mexendo com as químicas do salão. Viajei de barco, avião, fiz tudo o que não poderia ter feito durante a gestação”, relembra.
No dia 5 de abril deste ano, diante da ausência de menstruação no último mês, Joana consultou-se com a ginecologista da família. Descobriu que estava grávida... de quase nove meses! Além da aflição por não ter preparado nada para a chegada da primeira filha, a preocupação de que ela pudesse ter sofrido sequelas pelos “abusos” cometidos desavisadamente foi grande.
Parto
No parto, realizado no dia 13 de abril, outro susto. Com a bolsa rompida, Joana correu para o hospital, acompanhada da mãe e, já no centro cirúrgico, o anestesista desistiu de aplicar a raquidiana, após inúmeras tentativas frustradas de alcançar a medula espinhal.
“Foi então que a ginecologista decidiu que me daria anestesia geral para fazer a cesariana. Só que, por conta disso, a Helena nasceu sem sinais vitais, apenas com o coraçãozinho batendo”, relembra Joana.
Todas as manobras foram realizadas e Helena reagiu, sem que restasse nenhuma sequela. E toda a situação, que tinha tudo para ser de desespero, foi contornada, aos poucos, com a serenidade e sabedoria que só mães são capazes de transmitir. A agora bisavó Mafalda ofereceu conselhos de quem viveu a experiência de criar seis filhos, além de confeccionar sapatinhos e casaquinhos de lã sob medida para a pequena.
Também fez questão de enterrar o cordão umbilical da bisneta ao pé de uma roseira, para que a menina cresça “linda e formosa como uma rosa”, de acordo com a crença antiga. Já Maria de Lourdes, a Lourdinha, como qualquer mãe faria, acolheu a filha assustada em casa desde o nascimento de Helena até agora, quando ela está prestes a completar um mês de vida.
“Eu me sinto mãe duas vezes, porque estou tendo a oportunidade de cuidar, de novo, da minha filha, além de ajudá-la a cuidar da minha neta”, diz Lourdinha, que não esconde as lembranças de quando ainda carregava Joana, sua filha única, nos braços. “Às vezes, estou com a Helena no colo, e sinto como se fosse a Joana, até porque elas são muito parecidas”, arrisca.
O encantamento provocado pela chegada abrupta de Helena fará com que as três gerações comemorem o Dia das Mães, no próximo domingo, mais unidas do que nunca. “E a festa será na casa da bisa”, adianta Joana.
De improviso
Dia após dia, a vida de Joana, Maria de Lourdes e Mafalda vai se acomodando após a chegada inesperada daquela que já se transformou no novo xodó da família. Helena, que dormiu em uma banheira nos primeiros três dias de vida porque nem berço tinha, agora já é dona de um farto enxoval que ganhou de amigos e parentes da numerosa família da mãe.
“No dia em que a bolsa rompeu, levei para a maternidade o único pacote de fralda que eu tinha, que foi dado por uma amiga. Nem bolsa de maternidade havia comprado. Levei tudo em uma bolsa térmica comum. Agora, ela tem roupa para usar em mais de dois anos”, observa Joana.
De acordo com ela, até o nascimento da filha, o sentimento materno ainda não havia aflorado, tamanha a confusão de sentimentos diante de uma gestação “tão curta”. Mas, ao tomar a pequena pela primeira vez nos braços, nasceu, também, o amor incondicional àquela criatura. A maternidade é uma delícia”.