08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A igreja e o padre


| Tempo de leitura: 4 min

Sou católico apostólico romano. Frequento assiduamente a Paróquia de Santo Antônio, participando em algumas pastorais, colaborando com meu trabalho, tentando seguir os princípios de São Tiago: a "fé sem obras é morta". Procuro a cada dia oferecer algumas migalhas do meu modesto trabalho à glória de Cristo, que deu a sua vida para a nossa salvação. Comumente a Igreja Católica é vidraça e prato cheio para aqueles que querem ver somente erros, denegrir e enxovalhar a Instituição de mais de 2.000 anos, com mais de 2.000.000.000 de cristãos no mundo inteiro. Como toda Instituição, a Igreja é regida por homens e como tal passiva de erros, às vezes graves, e que nem sempre penaliza de forma exemplar aquele que os praticou.

Mas não é só a Instituição católica que comete erros graves; muitas outras denominações também praticam tanto quanto ou ainda pior no dia-a-dia que mexe no bolso do fiel inocente que vai a procura de bençãos e riqueza como num passe e mágica. Bem, este é outro assunto. O diferencial é que somente a Igreja Católica é manchete nos meios de comunicação. Por que não as outras? Será que interesses outros que não conhecemos impedem a divulgação? De alguma forma a instituição Igreja Católica é a mais visada por não compactuar com um mundo socialmente apodrecido, onde valores morais são invertidos de forma cruel e rotineira, onde o corpo humano deixou de ser divino, passando a ser objeto de uso descartável.

Isto tudo ocorre em nome da modernidade, que confunde a cabeça do adolescente, ficando o mesmo à mercê de um sub-mundo (drogas, sexo, crimes, roubos etc). A educação e os bons costumes deixaram de fazer parte do vocabulário que regem a conduta do ser humano. Claro, não são todos, mas com certeza uma boa parcela da "sociedade". Para completar o quadro, destaco em especial as Tv?s, um meio de comunicação que entra nas casas dos cidadãos, mostrando a liberação geral de cenas e diálogos perniciosos, que afrontam claramente a moral e os bons costumes, apresentando em horário nobre e em tempo real.

Após esse prefácio, e em breves colocações, entro no mérito do título acima. O recente caso do sr. ex-padre Beto com a Igreja mostra claramente que a inversão se fazia presente na forma em que ele difundia seus conceitos e pensamentos. A Igreja acolhe todas as pessoas com distúrbios de comportamento (sexo, drogas, prostituição etc), mas não permite que os religiosos deem ênfase e divulguem seus conceitos particulares em jornais, redes sociais, etc. Eu acredito que o que gerou essa situação foi a falta da humildade do sr. ex-padre Beto em atender e respeitar o juramento feito pela fidelidade aos dogmas da Igreja e aos seus superiores imediatos. Vale lembrar que, quando da sua ordenação, ele fez tal juramento em sã consciência e de forma espontânea.

Imaginemos como seriam instituições ou empresas se os funcionários maculassem de forma capciosa suas opiniões às redes sociais, e outros meios de comunicação. Com toda certeza seriam todos demitidos e, em alguns casos, com justa causa. Jesus pregava que o que entra pela boca não causa prejuízo, mas aquilo que sai pode causar uma guerra mundial.

O ex-padre Beto possui um cabedal de conhecimento em diversos temas, um potencial de agregar e de formar opinião com sua rica eloquência e invejável retórica, tendo por isso minha admiração e respeito. Como ser humano não tenho direito de julgá-lo e nem penalizá-lo, pois também tenho erros e defeitos. Somente, se me permitem, creio que ele extrapolou em suas manifestações. Seria de bom alvitre recuar como sinal de humildade e pedir perdão, o que passaria a ser divino.

Como subordinado à instância superior, poderia ser coerente, levando suas ideias e conceitos para apreciação da Cúria responsável. Sei também que a Igreja tem que rever alguns conceitos e normas para acompanhar os dias atuais para que não se percam fiéis perseverantes, e afastar os menos esclarecidos. Não estou aqui como juiz, pelo contrário, a minha finalidade e meu desejo é simplesmente encontrar meios para reconciliação e consumar a paz entre Igreja, Beto e o povo católico em geral. Para refletir: a Igreja não critica o pecador, mas sim o pecado. Como disse Jesus a Marta: "Eu te perdoo, vá embora e não peques mais". De um Vicentino que quer ver a Igreja crescer e viver os ensinamentos de Cristo.

Marco Antonio Grecca