11 de julho de 2026
Política

Câmara fará debate sobre esgoto em 4/6 por audiência pública

Vinicius Lousada com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Neide Carlos

Raul de Paula e Arildo Lima Jr. lideram idéias da oposição

Os partidos de oposição ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) deixaram claro, na sessão legislativa de ontem, que não chegaram ao fim as discussões em torno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). É pacífico entre todos que, apesar de mais eficiente, a tecnologia de membranas filtrantes não deverá ser adotada em Bauru. No entanto, a exposição do projeto técnico detalhado na última sexta-feira revelou preocupações, que exigem ações do poder público.

A cidade não está preparada para colocar a ETE, de R$ 118 milhões, em funcionamento. Despejo irregular de alguns endereços da indústria local e de graxa, óleos e combustíveis na rede colocaria a estação em risco. Esse e outros motivos fizeram com que, apesar da discussão da semana passada, o vereador Raul Gonçalves Paula (PV) mantivesse o pedido de audiência pública, com a participação de todos os setores envolvidos.

Os parlamentares aprovaram a solicitação e o encontro está marcado para o dia 4 de junho, às 17h, na Câmara Municipal. A base governista votou favorável à proposta após a alteração no texto, que, na semana passada, quando sobrestado, subordinava a licitação da ETE à realização da audiência.

Parlamentares da própria base aliada entendem a importância da discussão. O vereador Fabiano Mariano (PDT), por exemplo, afirmou que o Poder Executivo precisa definir um plano de ações para garantir que a estação opere de forma adequada e cumpra a eficiência mínima no tratamento, exigida pela legislação estadual.

Arildo Lima Júnior (PSDB) lembrou que as duas estações já em operações – de menor porte – apresentam diversos problemas. “Essa grande obra envolve a população em quase sua totalidade. É algo muito grande e que envolve muito dinheiro”, pontua.

O tucano diz ter ficado incomodado com a postura do prefeito na última reunião. Rodrigo atribuiu à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) a responsabilidade pela fiscalização das indústrias que produzem substâncias químicas, que levariam ao colapso a ETE que utiliza o sistema de reator anaeróbico UASB.

“Ele sempre tenta jogar a responsabilidade para alguém, mas não lembra dos lava-carros e das quase 4 mil oficinas mecânicas”, afirma.

Na edição de domingo, o JC mostrou que essas informações já eram de conhecimento de Agostinho desde o início do ano passado, quando a ETEP, contratada para realizar o projeto executivo, apresentou laudos dando conta de amostrar com identificação de despejo industrial irregular nos emissários.

O engenheiro Hildebrando Vasconcellos, que assina o projeto, confirma que é imprescindível resolver esse problema, senão o sistema não funcionará.

“Nem a dengue”

O vereador Raul conta que houve pedidos para que ele retirasse a solicitação de audiência pública. “Neguei porque a reunião da semana passada sanou a questão da tecnologia da ETE, mas mostrou que temos muitos desafios e a gente tem que encarar todos eles agora, enquanto há tempo”.

O verde destacou que a fiscalização de mais de 4 mil estabelecimentos será o principal desafio, em razão da deficiência gritante do poder público municipal nesse setor. “Não conseguimos nem fiscalizar a questão da dengue”.

Ele afirma que uma alternativa será o armazenamento dos resíduos dessas oficinas em caixas de contenção para que possam ser tratados pelo poder público, que cobraria pelo serviço. “Não dá para exigir desses pequenos empresários as mesmas condições dos industriários”, avalia.

Outros pontos

Raul demonstrou outra preocupação em relação à ETE. Segundo eles, técnicos disseram que o cheiro produzido pelo tratamento do esgoto pode alcançar um raio de 500 metros. “Tem gente morando nesse alcance, que precisa ser removida. Devemos ainda uma compensação ambiental à Cetesb. A solução seria plantar uma grande floresta no entorno”.

Markinho da Diversidade (PMDB) entrou no debate e pontuou que o despejo de óleo doméstico na rede também será um problema. “Aí depende da conscientização da população. Já está difícil no combate ao mosquito, que mata pessoas. Quando se fala em estação de tratamento, ficará ainda mais porque, depois que o óleo escorre pelo ralo, o problema da pessoa acabou”.


Base x oposição

Presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PT) retomou o discurso da semana passada do líder governista, Renato Purini (PMDB). Apesar de considerar importantes as discussões em torno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), ele acredita que o debate deveria ter sido feito há alguns anos.

O petista lembrou que a base foi muito cobrada, no passado, pelos setores políticos que não acreditavam na liberação de R$ 118 milhões, a fundo perdido, pelo governo federal. “Isso foi utilizado contra nós durante o período eleitoral”.

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) rebateu, alegando que a intenção da oposição não é inviabilizar o sonho do tratamento de esgoto. “Pelo contrário, queremos que ele aconteça de forma plena e esse dinheiro não sirva apenas para que a placa de inauguração seja descerrada”.

O tucano entende que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não agiu com transparência na discussão do projeto da ETE. “Quando isso acontece, acenda uma luz vermelha com um grande ponto de interrogação”, finalizou.