O promotor do caso PC Farias afirmou ontem que uma ameaça ao familiar de uma jurada influenciou o resultado do julgamento que inocentou, na semana passada, os quatro ex-seguranças do empresário encontrado morto em 1996 ao lado de sua namorada.
A Promotoria diz que houve quebra na incomunicabilidade dos jurados, o que seria uma falha processual que reforçaria a necessidade de anulação do julgamento, que já havia sido solicitada em recurso protocolado na última quarta-feira.
Segundo o promotor Marcos Mousinho, uma jurada relatou que na terça-feira, segundo dia do julgamento, seu marido foi perseguido por um carro preto que tentou provocar um acidente no trajeto entre o distrito de Barra Nova (AL) e Maceió.
O marido viajava para entregar objetos pessoais à mulher no hotel em que os jurados ficaram hospedados ao longo do julgamento.
A mulher, sempre segundo o promotor, recebeu os objetos do marido na quarta-feira, soube da ameaça e relatou no dia seguinte o fato para outra jurada, que entrou em crise de choro e afirmou que iria absolver os réus porque “tinha medo de morrer”.
Na sexta-feira passada, quando decidiram inocentar os ex-seguranças, todos os sete jurados já sabiam do fato, afirmou Mousinho.
O promotor afirmou considerar o fato uma “ameaça de morte” que “influenciou na decisão dos jurados”, que absolveram os quatro ex-seguranças por quatro votos a três.
O juiz Maurício Breda afirmou ontem não ver razão para a anulação do júri. O magistrado, que conduziu o julgamento, disse à reportagem ontem ter sido pego de surpresa pelas declarações do promotor.