09 de julho de 2026
Política

Aécio Neves é eleito presidente do PSDB com 97,3% dos votos

Por Folhapress | Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

Eleito neste sábado (18) para presidir o PSDB, o senador tucano Aécio Neves (MG), potencial candidato à Presidência da República em 2014, atacou o governo da presidente Dilma Rousseff e disse querer tirar o país das "garras" do PT.

George Gianni / PSDB

Senador Aécio Neves (MG) assumiu neste sábado (18) a presidência nacional do PSDB

O senador mineiro foi o escolhido para comandar o maior partido da oposição por dois anos, em convenção que também definiu a composição da executiva nacional da legenda.

Em clima de campanha eleitoral, o evento reuniu lideranças do partido como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo José Serra, que já concorreu duas vezes ao Planalto; e o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, outro tucano que já se candidatou à Presidência da República.

"Nós queremos tirar o país das garras de um partido político que se esqueceu das suas origens e da sua história", disse o senador mineiro em discurso logo após sua eleição à presidência do PSDB.

"Não vamos enfrentar apenas um partido político, vamos enfrentar um partido que se encastelou no Estado", afirmou Aécio, criticando a divisão dos ministérios entre os aliados do governo.

O potencial candidato ao Planalto atacou os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma, afirmando que o PT "inverteu" a lógica e colocou a máquina estatal a serviço de seus interesses e de um projeto de manutenção do poder.

Também voltou a defender a autoria tucana de projetos de distribuição de renda, carro-chefe das gestões Lula e Dilma, além de criticar a condução econômica do governo, a inflação "saindo do controle" e afirmar que as obras de infraestrutura estão "estagnadas".

Durante a convenção, Serra também atacou o governo, acusando-o de "incapaz" de fazer a economia crescer de maneira sustentável.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), afirmou que a eleição de Aécio para comandar o partido irá preparar "a musculatura" para "a grande batalha" da corrida presidencial em 2014, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comemorou a escolha do mineiro.

Aécio é um dos nomes mais fortes do partido para concorrer à Presidência da República em 2014.


Na festa de Aécio, Serra faz discurso sem citar candidatura de mineiro

Sem fazer menção ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato à Presidência em seu discurso na convenção nacional do PSDB, hoje, o ex-governador José Serra (PSDB-SP) disse que já viu "muita água passar por debaixo da ponte" no Brasil -num sinal de que não desistiu de disputar o Palácio do Planalto em 2014.


Serra disse que a sigla vai "aglutinar o máximo de forças" para derrotar o projeto de governo do PT, mas não colocou o nome de Aécio como futuro adversário da presidente Dilma Rousseff na corrida presidencial. "Vamos buscar a convergência. Não apenas no PSDB, mas com todos que estejam dispostos a marchar na defesa da decência, da liberdade, do progresso e da justiça."


O ex-governador disse que os tucanos reunidos hoje estão "com absoluta certeza do mesmo lado em 2014", no lado da "justiça social com crescimento e democracia".


Ao encerrar seu discurso, Serra desejou a Aécio e à nova direção do partido boa sorte -mas cobrou responsabilidade para levar a sigla à Presidência.


"A esta Presidência, a esta Executiva, a ela nós atribuímos a responsabilidade pela construção das nossas forças de oposição. A ela atribuímos a responsabilidade de conduzir nosso partido, e as oposições no Brasil, à vitória que o povo brasileiro merece no ano que vem."


Ao falar de sua biografia, o tucano lembrou que já tomou "grandes decisões" na vida pública e com os olhos em 2014 vai "atuar em favor da unidade das oposições e de quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta a essa incompetência incrível, porque eles são orgulhosamente incompetentes".


Serra disse que as "dificuldades extremas" nunca lhe assustaram e que as regras do regime democrático não vão "constrangê-lo". "Eu vou lutar como sempre, com clareza, com lealdade, sem ambiguidades ou palavras de sentido impreciso. Porque esse é meu estilo. Não tenho porta-vozes. Não tenho intermediários. Não tenho intérpretes. Quem quiser saber o que penso tem só uma fonte confiável: eu mesmo. E conto com lealdade recíproca."


O partido tem dúvidas sobre a permanência de Serra na sigla. Sua participação no evento é encarada como sinal de que ele pretende ficar. Nas duas vezes em que disputou a Presidência, em 2002 e 2010, Serra se mostrou insatisfeito com o apoio recebido de Aécio.


Na tentativa de superar essa divergência e pavimentar apoio em São Paulo, Aécio contemplou o PSDB paulista com a metade dos cargos da Executiva Nacional. Quatro deles serão ocupados por serristas: Alberto Goldman, Andrea Matarazzo, Aloysio Nunes e Mendes Thame.


Em seu discurso, Serra fez ataques ao governo Dilma Rousseff. Disse que os petistas provocaram a "estagnação econômica" e avançou no "autoritarismo".


"O partido quer submeter o Supremo Tribunal Federal à maioria governista do Congresso Nacional. Quer fechar o acesso dos novos partidos ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão. Quer impedir o Ministério Público de investigar", atacou.