11 de julho de 2026
Internacional

Angela Merkel visita papa e defende regulação mais firme dos mercados


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A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se encontrou ontem com o papa Francisco e, aparentemente respondendo a críticas dele a uma insensível “ditadura da economia”, pediu maior controle dos mercados financeiros.

Na quinta-feira o papa fez um apelo por uma reforma financeira no mundo e disse que a crise econômica global tornou a vida pior para milhões de pessoas nos países ricos e pobres.

Merkel visitou Roma por poucas horas apenas para se encontrar com o pontífice. Eles conversaram em particular na biblioteca do papa, por 45 minutos, um tempo extraordinariamente longo para uma audiência reservada.

Depois, Merkel disse aos repórteres que os escândalos e excessos criticados por Francisco durante a semana mostram que checagens e avaliações essenciais não estão funcionando adequadamente.

“As crises explodem porque as regras do mercado social não estão sendo observadas”, disse ela, acrescentando que o reforço da regulação do mercado financeiro seria um dos principais objetivos do encontro de líderes do G20, que reúne as maiores economias do mundo, em setembro.

“Tivemos progressos, mas longe do ponto em que possamos dizer que o tipo de desajuste que levou às crises no mercado não voltará a ocorrer. Por isso, a questão terá papel central na reunião do G20 este ano”, afirmou.

Globalização

Filha de um pastor luterano, Merkel disse que o papa Francisco falou principalmente sobre globalização, União Europeia e papel da Europa no mundo.

“O papa Francisco deixou claro que precisamos de uma Europa justa e forte e eu achei a mensagem muito encorajadora”, declarou Merkel, que lidera o partido União Democrática Cristã, de forte base católica.

Em seu principal pronunciamento desde sua eleição, em março, Francisco também fez um chamado aos países para que assumam um maior controle sobre suas economias e protejam os mais pobres.

Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental, comunista, antes da reunificação alemã, disse após o encontro que ela e Francisco “viveram sob ditaduras”, referindo-se à junta militar que comandou a Argentina, terra natal no papa, de 1976 a 1983.

 

 

 

Exposição

A vida nos pampas argentinos é o tema de uma insólita exposição na praça de São Pedro, no Vaticano, numa homenagem ao país de origem do papa Francisco.

“Argentina - o Gaúcho, Tradição, Arte e Fé” é o nome da exposição inaugurada na sexta-feira no espaço de exposições Braccio Carlo Magno, sob a colunata esquerda da praça.

Mas o papa, que deve visitá-la privativamente, não teve nada a ver com sua realização. “Foi a providência que (fez com que) um argentino fosse eleito papa em março”, disse María Pimentel, parte do grupo de curadores argentinos. “Foi decidido em agosto de 2012, antes que o papa Bento 16 renunciasse. Mas estamos felizes de termos um papa argentino. Ele sabe tudo sobre os gaúchos.”

A exposição inclui mais de 200 pinturas, desenhos, ponchos, têxteis, fotos, instrumentos musicais e artefatos - muitos com mais de um século - mostrando a vida e a cultura dos boiadeiros e peões na região da fronteira.

A exposição fica no Vaticano até 16 de junho, e depois segue para a cidade italiana de Loreto, entre 4 de julho e 1 de setembro.