09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Aprendendo pelos caminhos


| Tempo de leitura: 3 min

Havia passado pela formosa juventude e agora, olhando em direção à linha do horizonte, numa linda tarde, o céu pintado pelas rubras tardes do outono, teve a sensação de estar sendo invadido por muitas dúvidas e outras tantas incertezas. Afinal, será que nos caminhos percorridos havia deixado de aprender coisas da vida espiritual, envolvendo-se apenas com a ótica da materialidade? O momento era oportuno para suas reflexões. Estimulado por sua mentora muito amada, possuidora de luminosa biblioteca com livros de Allan Kardec, Léon Denis, Francisco Cândido Xavier, Divaldo Franco e Jésus Gonçalves ele passou a ler e conhecer os novos caminhos da sua própria existência. Sempre que possível visitava livrarias e bancas com livros da doutrina ou de filosofia espíritas e jornais especializados na divulgação dessas novidades que por tanto tempo desconheceu. Subitamente sentiu-se iluminado por essas páginas tão ricas de revelações, doutrina que respondia tão bem muitas questões e esclarecia em singelas palavras a razão e a consciência.

Em alguns momentos lembrou-se de ter colocado suas atividades profissionais no centro dos interesses mas ao mesmo tempo questionava como viver espiritualmente em meio às lutas do cotidiano. Havia necessidade de avançar em direção àquilo que é o cerne da espiritualidade: a desejada relação de colóquios com Deus, ou seja, viver a experiência de visitá-Lo e deixar-se visitar por Ele em meio aos embates diários e fazer desta oportunidade o espaço habitual desses encontros. Nas tardes outonais o casal se embevecia com a beleza da natureza ao por do sol, era esse o momento de abrir os livros de Chico Xavier falando pelo espírito Emmanuel as invocações e recordações dos fatos acontecidos ou por acontecer, a leitura de textos em linguagem poética e cristalina, trazendo com a meditação os momentos de paz, encerrando o dia com as preces com o pedido de bênçãos ao Criador de todo o universo.

Nessas leituras vespertinas o casal enamorado era tomado da sensação gostosa de ter estado na presença de Deus. Momento mais importante para agradecer pelas experiências laboriosas de mais um dia. Ao encerrar este texto de caminheiro aprendiz recordava-se dos Autores citados. Dentre eles, Jésus Gonçalves, escritor e poeta foi morador em Bauru, hoje, um Espírito de luz; uma de suas filhas e netos são residentes na cidade. Seguramente, todos conheceram as trilhas dos caminhos e foram até bem mais longe e incomparavelmente melhor. Ele, ao contrário, estava apenas começando, aprendendo por esses mesmos caminhos e perdendo o pudor de escrever sobre um assunto que trata da espiritualidade.

O fato doloroso de uma terminal doença sempre permite uma reflexão sobre como a vida pode ser saboreada até mesmo quando se transforma em morte, desde que se perceba nela a presença luminosa do Espírito. Sob o efeito desses ensinamentos, pergunta-se: a que se reduz a idéia da morte? Perde todo o caráter assustador. A morte mais não é que uma transformação necessária e uma renovação pois nada perece realmente, exceto a matéria feita de barro. A partir deste conhecimento, escorado na doutrina e filosofia espíritas admitiu relativizar muita coisa, abrindo o cérebro e o coração para um mundo que agora se tornou completamente diferente no tocante a eternidade da alma, crença colhida ainda nos tempos de menino mas que agora parece transformar-se numa quase certeza.

Roque Roberto Pires de Carvalho