Não nos cabe julgar a pessoa de padre Beto, condenando ou absolvendo, só nos cabe perdoá-lo se algum dano nos causou. Deus o julgará, como a nós todos. Más devemos refletir, julgar e tomar posição, diante de Deus e do próximo, sobre a doutrina que ele prega, até para não sermos acusados, julgados e condenados, quer por cumplicidade quer por omissão, quando Deus o julgar (Rm.1:32 e Ap.18:2-5). Eu a desaprovo! E fundamento racionalmente minha posição, mas sem fugir da Bíblia! Por isso falo com aqueles que, se dizendo cristãos, aprovam ou estão duvidosos acerca da doutrina sobre o amor pregada por padre Beto. Também eu venho em nome do Amor, de Deus. E falo a pessoas que têm critério, que são capazes de raciocinar, deliberar e fazer escolhas com um mínimo de discernimento espiritual. Sei, a Bíblia revela, que todo homem tem, desde a criação, uma consciência moral, e tem conhecimento sobre a existência de um Ser Moral Superior e de suas exigências morais básicas, e por isso tem capacidade de discernir o básico sobre o bem e o mal. Ou não fomos criados à sua imagem e semelhança? Por isso sabemos, mesmo que o neguemos, que o caráter moral Dele, Deus, não se apoia só na virtude do Amor, mas também, e na mesma medida, e principalmente, na Santidade e na Justiça. Pori sso é um grave engano a si mesmo esperar que Deus aprove, em nome do seu Amor, manifestações do nosso amor humano que profanem e corrompam seu caráter Santo e Justo.
Não, Deus não as aprova! Sua índole, natureza e temperamento o impedem de aprová-las, porque elas violam sua honra e imagem. E qual o espanto? Se um filho se desonra não desonra também a imagem de seu pai? E se o faz não tem o pai direito de castigá-lo? Não tem o pai direito de deserdá-lo? Ou não trazemos em nós a imagem e semelhança de Deus Pai, ainda que manchada? E se a igreja do padre Beto, seus superiores, ele próprio, e nós todos, a exemplo de Cristo, reprovamos ao ver nossa honra e imagem violadas e deturpadas, por que supor que o Pai aprovaria que seus filhos violem e deturpem sua honra e imagem? Sim, pois se em nome do nosso amor profanamos e corrompemos o caráter Amoroso, Santo e Justo de Deus, que há em nós, não violamos também sua honra e imagem? E se o fazemos e lhe causamos dano não tem Ele direito de exigir indenização moral, castigar e até deserdar? Tem! E só não as exige, agora, exatamente porque seu Amor suplanta seu juízo. Ele aguarda, como Pai paciente, que o procuremos arrependidos para nos perdoar.
Só assim nos livraremos do seu tribunal futuro. afinal, a mesma Bíblia que diz que Deus é Amor, e diz que Ele Ama o pecador, também diz que Deus odeia o pecado, e diz ainda, bem claro, em quais situações o amor humano é pecado aos olhos Dele. Ou minha Bíblia será diferente? Então, não odeia Deus certas manifestações do amor humano? E diríamos: é por isso que Deus é Ódio? Ou diríamos: antes que o ódio de Deus pelo amor pecaminoso é exatamente porque Ele Ama até mesmo estes que assim pecam e os quer livrar do juízo futuro? Então, neste caso o ódio de Deus pelo amor pecaminoso não é confirmação do seu Amor?
Mas dirão alguns: Jesus aboliu a lei. Não, não aboliu! A cumpriu inteiramente, mas não por obediência hipócrita à lei e sim por obediência servil à sua consciência moral, por Amor ao Pai, e estabeleceu este mesmo Caminho para nós também irmos ao Pai (Mt.5:17-20). E por acaso nossa consciência não nos acusa sempre que pensamos em fazer algo imoral para que não o façamos? Precisamos de leis para saber o que é ou não imoral? Assim, ainda que o amor pecaminoso seja culturalmente aceito como normal, por pratica repetitiva ou por ensinos que distorcem sua compreensão moral, numa certa sociedade, não quer dizer que Deus o aprove, o aceite conformadamente, ou o risque de seu código moral de justiça, apenas para aquela sociedade. Ou será que Deus é mutável? Não, Deus não muda! Deus não se adequa a nós! E sua doutrina não muda, não evolui, não se adapta às sociedades e culturas, não se conforma a nossa vontade! Passam os céus e a terra, mas sua Palavra não muda! Ou somos nós que criamos Deus à nossa imagem e semelhança? Ou somos nós que dizemos a Deus como vamos nos unir, nos relacionar sexualmente e nos multiplicar?
Ou vamos rezar assim a Deus: vá a Vós nossa cultura, e faça Vós nossa vontade? O padre Beto é livre para manifestar seu conhecimento filosófico especulativo, racional, mundano e humanista, e pode por isso disseminar sua ideia de que onde há amor não há pecado, e propor aos que o ouvem reflexões sobre isto; Deus não vai fulminá-lo por isto. Mas não podemos crer que todas as suas ideias vêm de Deus! Não, a doutrina de padre Beto não é segundo a doutrina de Deus! Desde o Éden o "ser superior da imoralidade" propõe reflexões desde tipo acerca das palavras da Palavra de Deus, propõe outras doutrinas. Vamos permitir que ele viole nossa liberdade de consciência e de crença e nos diga o que Deus disse ou não disse sobre o bem e o mal, abrindo nossa consciência às suas reflexões?
Silvio Gomes