08 de julho de 2026
Bairros

Onda de roubos assusta comerciantes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Os comerciantes do Jardim Redentor estão preocupados. Cada vez mais ousados, assaltantes armados estão invadindo os pequenos comércios do bairro a qualquer hora do dia e com uma frequência assustadora.

Desde abril, ao menos seis roubos teriam sido registrados nas imediações da rua Rafael Pereira Martini, onde os estabelecimentos se concentram. Os proprietários, que não quiseram se identificar por medo de sofrerem represálias, cobram ação da Polícia Militar (PM) para combater a onda de criminalidade.

De acordo com empresários ouvidos pela reportagem, os assaltantes costumam agir em dupla, são jovens e realizam as abordagens sempre armados para subtrair produtos das lojas e todo o dinheiro do caixa. Em umas das ocorrências mais recentes, eles levaram R$ 7 mil de uma comerciante.

Os crimes teriam se intensificado desde o início do ano, mas, nas últimas semanas, se tornaram ainda mais frequentes. “Somente na semana passada, foram dois assaltos praticamente na mesma quadra, em apenas dois dias. Estamos todos em pânico”, considera o proprietário de uma lanchonete, que foi roubada no último sábado.

Ele explica que, por conta da onda de assaltos, muitas lojas que ficavam abertas até as 22h começaram a antecipar em cerca de duas horas o horário de fechamento, quase como um “toque de recolher”. “Diante da situação, a gente pede reforço no patrulhamento preventivo e uma ação mais efetiva da polícia. Essa molecada leva nosso dinheiro, vai embora e fica impune. Não dá mais para ficar desse jeito”, lamenta.

Quando foi assaltado, por volta das 20h do dia 18, o empresário perdeu cerca de R$ 500,00 que estavam no caixa. A abordagem foi feita por dois jovens, aparentemente com menos de 18 anos de idade.

A ação ocorreu apenas dois dias depois do roubo registrado na casa de uma proprietária de uma casa de salgados, que fica a poucos metros de distância da lanchonete. A mulher, de 28 anos, conta que havia acabado de fechar o comércio, por volta da 0h do dia 16, quando seu marido foi abordado por dois homens encapuzados na entrada da garagem da residência do casal, que fica ao lado do estabelecimento.

“Eles nos levaram até o nosso quarto, onde sabiam que havia um cofre. Apontaram a arma na cabeça do meu filho e fui obrigada a entregar todo o dinheiro”, relembra a empresária, ainda assustada. “Estou com muito medo. Em sete anos que estou aqui, nunca vi nada parecido. E parece que nem a polícia sabe o que fazer. Então, prefiro trabalhar mais dois, três meses para recuperar o dinheiro perdido e preservar a vida da minha família”, pondera.

Prejuízo

Outra loja, assaltada pela última vez em janeiro deste ano, teve prejuízo de mais de R$ 4 mil. Além de levarem a carteira do proprietário, os criminosos roubaram aparelhos celulares e notebooks que estavam à venda.

“Já tínhamos sido assaltados outras duas vezes desde meados do ano passado. Desta vez, entraram aqui às 9h30 da manhã, abaixaram a porta da loja e trancaram meu marido no banheiro”, relembra a esposa do dono.

Mais uma vez, a ação foi executada por uma dupla de jovens, que chegou em uma motocicleta e permaneceu de capacete e armada durante a rendição. De acordo com a mulher, outra loja de produtos eletrônicos localizada na rua Rafael Pereira Martini foi assaltada há cerca de dois meses.

Na ocasião, além de mercadorias, os ladrões levaram até mesmo a motocicleta do proprietário. “Já virou rotina. Hoje, não tenho coragem de ficar sozinha na loja. E meu marido, quase sempre, fica na porta, por precaução, olhando a movimentação na rua”, afirma.


Remanejamento

Por conta do aumento das ocorrências, a Polícia Militar (PM) informa que já reforçou o patrulhamento na região do Jardim Redentor, por meio de alterações no Plano de Policiamento Inteligente (PPI). Dos três roubos registrados neste mês, ao menos dois já estariam com as investigações bastante avançadas.

“Já temos quase certeza de que se tratam de moradores das imediações, que roubam para consumir drogas”, frisa o comandante interino da Base Comunitária Sudeste, tenente Rafael Ramos. Ainda de acordo com ele, o volume de flagrantes, apreensões e abordagens efetuadas em maio pela 4ª Companhia da PM na área está dentro da meta estipulada.


Morte no ano passado

Embora os lojistas estejam assustados com a onda crescente de roubos no Jardim Redentor, a criminalidade no bairro já preocupava desde o final do ano passado, quando um comerciante foi morto pouco antes de fechar o bar de sua propriedade. Lairto Fernandes, 62 anos, foi atingido por um único disparo na região do pescoço, em setembro de 2012, e morreu depois de ficar por 40 dias internado.

Na ocasião, amigos e familiares afirmaram que o empresário não possuía desafetos e suspeitavam de que ele tivesse reagido a uma tentativa de assalto. Aparentemente, nada foi levado do bar, localizado na quadra 4 da avenida Hélio Pólice.