O amigo leitor há de convir com este humilde repetidor de aldeia que não há nada mais feio, constrangedor, tenebroso que uma cidade com muros pichados, paredes sombrias irradiando o mal-estar de uma civilização que abraçou a morte.
É pensamento geral que não se pode configurar a pichação como crime, mas não há dúvida de que se trata de uma contravenção, devendo ser, portanto, reprimida. Creio eu que pichações de bens públicos, ou de casas e muros particulares à revelia do proprietário, não têm valor artístico, é puro vandalismo. E, como tal, deve ser coibido.
Não se pode alimentar a expectativa de uma Bauru sem lei. É preciso ver as causas que levam a isso. E aí tomar decisões de conjunto.
Em outros tempos os valores morais e culturais se construíam sobre o tripé: família, escola e igreja. Infelizmente, hoje, a família está dilacerada. A escola, sucateada. A igreja, abandonada. No lugar, um novo e perverso tripé: a droga como estímulo, a rua como palco e a arma: a lata de aerossol como poder.
Mas, ainda há esperança de que este mal possa ser revertido, uma vez que o vereador Raul Gonçalves, motivado por reportagem publicada no dia 17 de maio, no JC, requereu uma audiência pública para discutir a pichação em Bauru. O nobre vereador afirma haver uma legislação federal de combate a este tipo de delito, mas entende ser necessário regulamentá-la na esfera local. O debate está marcado para o dia 28 de junho, na Câmara Municipal.
Professor Gino Crês