11 de julho de 2026
Política

DER define empresas para duplicar Bauru-Iacanga por R$ 91 mi

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Melhorias já licitadas vão do perigoso trecho da área urbana de Bauru até o aeroporto

Chegou ao fim ontem o processo licitatório da duplicação da rodovia Bauru-Iacanga, do trecho que começa na área urbana da cidade e vai até o trevo do aeroporto Moussa Tobias. A obra vai custar R$ 91,1 milhões, R$ 8,9 milhões a menos do que os R$ 100 milhões orçados pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER).

O órgão homologou as empresas Construcap CCPS Engenharia & Comércio S.A e Construtora Sanches Tripoloni Ltda, ambas paulistanas, como as vencedoras da concorrência. Os 11,8 quilômetros de rodovias foram divididos em dois lotes.

De acordo com a Secretaria do Estado de Transportes, a intenção é garantir maior eficiência na execução das obras, pois poucas empresas possuem a estrutura suficiente para cumprir o contrato integralmente.

A Construcap será responsável pela duplicação da rodovia entre os quilômetros 344,8 e 350,6, o que inclui a construção das marginais no trecho urbano de Bauru. O valor da obra está orçado em R$ 53,9 milhões.

Já a Sanches Tripoloni fará a duplicação do quilômetro 350,6 ao quilômetro 356,62, onde fica o trevo de acesso ao aeroporto. O custo será de R$ 37,2 milhões. Toda a obra será paga com recursos dos cofres estaduais.

Com oito viadutos, duas passarelas e dez quilômetros de marginais, as obras vão focar na segurança. Não à toa, pois, em razão do alto índice de acidentes – inclusive fatais -, a Bauru-Iacanga é popularmente conhecida como “rodovia da morte”.

As marginais, de acordo com o superintendente do DER, Clodoaldo Pelissioni, são fundamentais para separar o tráfego urbano do rodoviário.

Estruturas

Os viadutos serão implantados nos quilômetros 345 (altura do Centro Comunitário), 346 (acesso à rua José Bombini), 349 e 353.

No quilômetro 351, no trecho de acesso à estrada vicinal de Pederneiras, serão construídos dois viadutos. O mesmo ocorrerá no quilômetro 355, na altura do aeroporto Moussa Tobias.

Serão erguidas ainda duas passarelas para pedestres nos quilômetros 344, próximo à rodovia Marechal Rondon, e 346, para acesso à rua Mário Labarbuta.

As pistas serão separadas por barreira dupla de concreto, outra medida para reduzir os índices de acidentes. A partir do quilômetro 349 até o aeroporto, a mureta será substituída por um canteiro central gramado.

Luta antiga

A população de bairros que estão à margem da Bauru-Iacanga, como a Vila São Paulo e Pousada da Esperança, reivindica a obra há muitos anos. No mês de março, protestos foram organizados na rodovia.

A mobilização se tornou mais consistente em maio de 2011, quando o Ministério Público (MP) exigiu a apresentação de estudos que apontassem medidas rápidas e de baixo custo que reduzissem os perigos no local.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que anunciou a homologação das empresas vencedoras da licitação, comemorou mais essa etapa vencida. De acordo com ele, fica agora a expectativa para que as obras comecem o mais rápido possível.

Segundo o parlamentar, quanto antes for feita a duplicação, maiores serão as chances de se evitar novos acidentes e mortes. Além disso, as obras vão fomentar o desenvolvimento de importante eixo produtivo, que dá acesso ao aeroporto regional.

Nesta semana, quase 140 imóveis foram decretados como de utilidade pública para fins de desapropriação. Eles totalizam 15.422,3 metros quadrados, que serão utilizados para a construção das marginais da Bauru-Iacanga.

A via corta diversos bairros da região Norte da cidade, como a Pousada da Esperança, Parque City, Jardim Ivone e Vila São Paulo. Rodrigo Agostinho (PMDB) explica que demorou a publicar o decreto relativo às desapropriações porque o município precisou usar sua própria estrutura para fazer o levantamento das áreas, com base no projeto executivo do DER.


Prazo

A expectativa do DER é de que as obras tenham início em julho deste ano. Para isso, porém, é preciso que a Prefeitura de Bauru conclua os processos de desapropriações de 15 mil metros quadrados de áreas particulares que serão utilizadas para a construção das marginais na área urbana.

Até lá, Rodrigo Agostinho pretende ter sanado esta etapa. No entanto, nem sempre as desapropriações ocorrem na velocidade que espera o poder público. Exemplo disso é o caso da barragem do córrego Água do Sobrado, paralisado por quatro meses em razão de desapropriações mal sucedidas.

De acordo com a Secretaria do Estado de Transportes, a execução das obras na Bauru-Iacanga deve durar 12 meses.