O nevoeiro que atrapalha a vida dos condutores nas rodovias é também um limitador para os instrutores de voo do Aeroclube de Bauru. Em dias em que a neblina tem maior incidência, o aeroclube fica fechado para pousos e decolagens, explica o instrutor Saulo João Júnior.
“Não conseguimos dar aula prática. Estamos limitados à visibilidade. O aeroclube fica fechado, porque a camada cola no solo e não tem visibilidade alguma até ter o aquecimento do sol. Isso ocorre por volta das 10 horas da manhã, mas dependendo do dia, até mais tarde. Nessas situações, a gente não voa.”
O instrutor ressalta que a meteorologia é tão importante para o piloto que o aluno tem essas orientações ainda na fase teórica do curso. “O aluno começa a aprender sobre meteorologia antes de começar a voar, quando faz o curso teórico. Ele passa três meses estudando. Uma das cinco matérias estudadas é a meteorologia.”
O esforço em conhecer detalhes sobre o clima, temperatura e condições de voo que fazem parte do curso é um investimento necessário porque são inúmeros os fatores que influenciam na previsão meteorológica.
“Infelizmente, a previsão meteorológica como a gente viu no filme ‘De Volta para o Futuro’ não existe, e não vai existir nem daqui 200 anos, porque envolve muitas coisas, macro e micro região etc. Não é possível fazer remanejamento de voos baseado em previsão do tempo, porque sempre há exceções.”
A previsão do nevoeiro é ainda pior. “A programação se mantém. Porque é difícil ter uma previsão do nevoeiro correta. São ‘N’ fatores meteorológicos mundiais, nacionais, estaduais, regionais e locais. Variação de pressão e temperatura e terreno que influenciam ou não na formação do nevoeiro. Geralmente ele ocorre após uma mudança brusca de temperatura e é a difícil de prever.”
No Aeroclube de Bauru, a maioria dos voos é de instrução. “São voos visuais, a partir de uma do momento que o nevoeiro começa a desgrudar do chão, alguns voos podem ser liberados, como os de instrumento”, explica o instrutor.
Nuvem passageira
O nevoeiro é aquilo que podemos chamar de nuvem passageira. Forma-se na superfície, quando a umidade relativa fica próxima ou atinge 100%. Reduz a visibilidade horizontal na superfície a valores inferiores a 1 km. Essa saturação ocorre por dois processos: resfriamento do ar ou por adição de vapor d’água (por exemplo, quando chove, a evaporação da água da chuva causa aumento na quantidade de vapor d’água na atmosfera).
A neblina é um problema para os aeroportos, especialmente os brasileiros, que não possuem equipamentos adequados para auxiliar os pilotos. Muitos voos são cancelados nesta época do ano.
Na opinião do instrutor do Aeroclube de Bauru Saulo João Júnior, uma dose de investimento poderia ajudar nessa questão. “No aeroporto internacional de Cumbica há um equipamento que faz com que a aeronave vai com o piloto automático até o chão. Isso tinha que ter em todos os aeroportos brasileiros, porque a aviação não pode parar nunca.”
Mas segundo ele, é um investimento caro. “O ILS custa cerca de R$ 8 milhões, mas nos Estados Unidos têm em todos os aeroportos do país. No Brasil estão querendo acabar com tudo e ficar em GPS que não é satélite nosso, é americano. Nós não temos um sistema de satélite brasileiro, estamos sempre dependendo dos outros. Cada país está desenvolvendo o seu próprio GPS. Eu acho que seria muito importante para o Brasil desenvolver o seu sistema próprio. É caro para as entidades homologarem as aeronaves.”
O ILS (sistema de pouso por instrumentos, na sigla em inglês) categoria 3ª, deve entrar em funcionamento neste inverno, segundo a Infraero, estatal que o comprou e instalou em Cumbica. O antinevoeiro requer que as companhias aéreas tenham aviões certificados e pilotos treinados.