Podemos afirmar que o filme "Ensaio sobre a cegueira", obra literária de José Saramago adaptada para o cinema pelo brasileiríssimo diretor Fernando Meirelles, trata-se de uma cegueira metafórica. Inquestionavelmente, vivemos numa sociedade cuja nossa própria visão nos cega para o que realmente importa. É exatamente esse o intuito do filme, mostrar que o ser humano não enxerga o verdadeiro valor daqueles que o cercam, apenas valoriza coisas materiais, uma realidade na qual a felicidade só é alcançada através do dinheiro, o ser humano é superficial, egoísta, nota-se o egocentrismo logo na primeira cena do filme, a qual o personagem fica cego no trânsito e ninguém preocupa-se, buzinam desesperadamente, em seqüência mostra outro personagem tirando vantagem da situação, roubando um cego.
Atualmente, as pessoas valorizam mais o "ter" do que o "ser", perdeu-se a essência, a pessoa é julgada pelo que possui, se já comprou o novo Iphone, se vestem roupas de marca, se dirige carro do ano e etc. Além de valorizar o epidérmico, o homem está obcecado com sua aparência, destina horas da sua vida em função disso, coloca-se silicone, tira-se gordura e o intelecto? Onde fica? A intelectualidade e o ato de questionar foram deixados de lado, esse é outro tipo de cegueira, as pessoas não querem enxergar a situação política e econômica do país, não querem saber! Por isso os políticos roubam tanto e criam projetos ridículos subestimando nossa inteligência.
Em face dos argumentos apresentados, fica, portanto, evidenciado que o ser humano é cego, cego para os problemas do próximo, cego para os problemas do país, só tem visão para si mesmo e coisas sem importância alguma, simplesmente desfilam na passarela da futilidade, por isso os políticos pintam e bordam, pois o povo só se preocupa em assistir ao Big Brother e dançar o quadradinho de oito. Realmente o pior cego é aquele que não quer enxergar!
Gabriela Cury Astolphi