11 de julho de 2026
Cultura

Os pesquisadores estão pirando!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

O pensar e o refletir são prerrogativas, quase obrigações exclusivas do homem, e relacionadas com a nossa razão de existir. Não por acaso, as palavras saber e sabor têm a mesma origem. Para Sartre o homem passa a existir quando tem consciência de seu papel na sociedade. Antes disso, estaria no mesmo plano dos animais e vegetais.

O conhecimento atinge as razões, as causas das coisas e não simplesmente as coisas. Se o homem ultrapassa o limite do simples conhecer, pelo empenho em pensar e refletir, desponta o elemento básico da atitude científica: a crítica e a objetividade.

Aos que ficam nos celulares e computadores, sinto informar que conhecimento verdadeiro só vem da reflexão, da abstração! Nas filas, aeroportos e salas de espera ninguém fica mais pensando na vida, estão ligados nas redes. Estudos indicam: a criatividade está em baixa! A repetição de assuntos é cada vez maior, inclusive nas artes e ciências. Se ainda “tem tempo” é no banheiro, desculpe-me, no chuveiro, pois no trono também se reina nos teclados da vida!

Ciência e tecnologia não são sinônimos. A tecnologia usa conhecimentos científicos para fabricar e viabilizar os interesses comercial, industrial e estratégico. A tecnologia está ligada a patentes e marcas comerciais; com dinheiro e projeto de poder; lucro e predomínio de um povo sobre os demais.

Um país grande, dominador e rico estimula publicação de trabalhos, geração de patentes e marcas registradas: índices internacionais classificam os países. Para países fabricarem medicamentos, carros, armas, brinquedos e computadores devem pagar taxas para os que detém o direito de patentes. Quanto mais empresas e laboratórios brasileiros com patentes e marcas, mais dinheiro receberemos de outros povos. Isto é um projeto de poder e domínio: pode ser bom ou ruim, mas é assim que funciona!

Plágios, fraudes ...

O sociedade pressiona os pesquisadores e universidades estabelecendo-se critérios de produtividade para classificá-los. Quanto maior o número de trabalhos publicados, mais dinheiro é liberado. As universidades são fortemente pressionadas pela Capes, a agência reguladora da pós-graduação, que cobram dos professores tantos trabalhos ao ano e etc. Resultado: podem atropelar critérios da lógica, ética, moral e da serenidade e sanidade mental como:

O professor universitário não tem mais tempo e espaço para pensar, refletir, discutir e divagar sobre ideias e hipóteses com colegas e alunos. Está obcecado, não tem outro assunto, só Capes, revistas, artigos, orientados e índices. Não consegue ver e viver além dos muros da academia e torna-se menos culto, pouco criativo, muito repetitivo e assume riscos maiores em ser pego pelos códigos de ética. Os casos de violação na universidade brasileira estão aumentando. O sistema é de pirar!

A causa pode ser a pressão inadequada. A avaliação dos professores pela Capes, universidades e agências de fomento à pesquisa está desfocada da realidade e é assimétrica: não considera as atividades de formação humanística do cidadão consciente na graduação e nem as atividades de extensão e cultura do professor. O sistema Capes aprimorou uma máquina de moer gente: agora tomem violações éticas e morais.

Na China, funcionários por muito menos, suicidam! Na Europa os pesquisadores pegos renunciam aos cargos e, nos EUA, são demitidos!