A União Europeia (UE) chegou a um acordo para suspender o embargo ao fornecimento de armas à Síria, afirmou ontem à noite o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague.
A decisão abre caminho para que países do bloco repassem armamento às tropas rebeldes que tentam derrubar o regime de Bashar al-Assad.
Hague afirmou, pelo Twitter, que não há decisão imediata de enviar armas ao país e que as demais sanções à Síria serão mantidas.
A discussão sobre o fim do embargo foi tema de uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores dos 27 países do bloco, em Bruxelas.
A negociação chegou a ser dada como fracassada no início da noite de ontem, quando o ministro Michael Spindelegger afirmou a jornalistas em Bruxelas que não haveria acordo.
No entanto, os líderes voltaram a se reunir por mais algumas horas até que a notícia do fim do embargo fosse dada por Hague.
O ministro francês Laurent Fabius, que também apoiou o fim do embargo, disse ver “suspeitas crescentes” de uso de armas químicas contra civis pelas tropas de Assad.
O jornal francês “Le Monde” publicou ontem relatos do uso de armas químicas pelo regime sírio. Segundo o diário, um de seus fotógrafos teve dificuldades em respirar durante quatro dias, após um ataque em meados de abril.
A arma química utilizada, afirma o diário, é um gás incolor e inodoro. Os rebeldes estariam sendo tratados com antídoto para sarin.
“Eles logo experienciam dificuldades em respirar, às vezes ao extremo. Eles começam a vomitar ou perdem a consciência”, relata o texto.
Apoio
Ontem, o senador americano John McCain visitou os rebeldes. O republicano é a mais destacada autoridade eleita a visitar o país, depois da eclosão da guerra civil.
Aumenta divergência na oposição síria
A crise da oposição síria aprofundou-se ontem, devido à pequena representação oferecida a grupos liberais, abalando os esforços internacionais para oferecer maior apoio à coalizão antigoverno dominada por ativistas islâmicos.
Para perplexidade dos representantes de governos árabes e ocidentais que monitoram quatro dias de discussões da oposição em Istambul, a Coalizão Nacional Síria, que reúne 60 membros, bloqueou um acordo para a admissão do bloco liberal dirigido pelo ativista Michel Kilo.
O Catar e um bloco em grande parte influenciado pela Irmandade Muçulmana têm sido a principal força por trás da coalizão, e a dificuldade em ampliá-la poderá resultar numa redução do apoio saudita à revolta contra o governo de Bashar al-Assad, além de deixar a oposição ainda mais enfraquecida.
Seus apoiadores liberais pressionam a Coalizão a resolver suas divisões e ampliar seu alcance de modo a incluir mais liberais e se contrapor ao domínio islâmico. O plano também tinha apoio da Arábia Saudita, que vinha se preparando para assumir um papel maior na política interna da coalizão e vê com desconforto a ascensão da influência do Catar, segundo fontes da oposição. O desentendimento também poderá fortalecer a posição de Assad numa conferência de paz a ser promovida nas próximas semanas em Genebra pelos Estados Unidos e a Rússia.
O grupo liberal de Kilo recebeu a oferta de apenas cinco vagas na Coalizão - em vez das mais de 20 que pleiteava - depois de uma sessão na Turquia que se estendeu até quase o amanhecer, segundo fontes da coalizão. Com isso, a Coalizão fica controlada por uma facção leal ao secretário-geral do grupo, Mustafa al-Sabbagh, que está instalado no Catar, e por um grupo influenciado pela Irmandade Muçulmana.