08 de julho de 2026
Articulistas

Vira refletir

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Após mais uma Virada Cultural, o que se descortina são críticas e elogios. Na velocidade do show de encerramento, da cantora búlgara Dena (cerca de 30 minutos de apresentação), pude postar logo na sequência, no site do JC, uma consideração a respeito das atrações musicais do evento. Recebi reações de apoio e de discordância. Acima de tudo, vale incentivar a reflexão crítica para que novas viradas virem cada vez melhor. Não creio que deve ser centro de análise qualquer menção à extinção da boa iniciativa, como alguns chegaram a defender no Facebook. Calma lá.
Também é preciso ressaltar que o objeto de análise em questão foi a oferta de atrações musicais muito pouco conhecidas do público ? ao contrário do que ocorreu em outras localidades. A Virada teve outras formas de arte ? e isso precisa ser mantido. Vale lembrar que algumas casas de shows têm aperfeiçoado enquetes com seus frequentadores sobre que shows musicais gostariam de ver. Talvez a organização central da própria Virada também possa avançar em consultas desse tipo ? já feitas, mas sempre há margens para melhorar.

E antes que você, prezado leitor, vire a página, tomo a liberdade de compartilhar abaixo a íntegra de minha crítica veiculada na Internet logo após o fim da Virada na cidade. Vamos ser claros: Bauru merece mais. Não é de hoje que a Virada Cultural desperta desconfianças. A edição de 2013 foi emblemática nesse sentido: deixou a desejar ao tímido público receptivo.

A última atração do domingo, cantora búlgara Dena, fez o que sabe em cerca de 30 minutos. Trinta? Foi isso mesmo? Ok, vamos à noite fria de sábado. A banda Tokyo Savanna foi um dos destaques barulhentos antes da mediana Pitty. Em Santos, neste mesmo domingo, Gilberto Gil e Jair Rodrigues. Ok. Em Botucatu, sábado: Almir Sater. Ok. Não sei onde, Otto... Não sei onde, o cantor da banda da Amy... Ok. Franca: Titãs. Em Bauru, Metá Metá (?) no domingo à tarde. Que foi legal, mas...

Os desconhecidos artistas da Virada 2013 em Bauru têm seu valor, só que a organização (digo, o governo estadual) precisa levar em conta outros tipos de apelos, interesses e pulsações. É bom conhecer o diferente - e também é bom ter acesso gratuito ao que é esperançosamente previsível, como um Lobão e uma Gal Costa - atrações de Jundiaí, cidade do porte de Bauru. A Virada em Bauru precisa mesclar, ser mais sortida - cadê o samba? Cadê o regional? Cadê o rock nacional setentista? Oitentista? Cadê a MPB? Abaixo, resumo da programação que rolou na Virada em Bauru. Obrigado, mas... Sábado: DJ Ricardo Venturini; Tokio Savannah; Bluebel & Black Tie; Pitty & Agridoce; Domingo: Lirinha, Metá Metá e Dena.

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC. E-mail: joaopedro@jcnet.com.br