09 de julho de 2026
Geral

Prefeito cogita abrir o rio na Nações

Vitor Oshiro com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo/JC

Foto de 1970 mostra o Córrego das Flores antes de ser canalizado na Nações Unidas 

Entre os pontos críticos de Bauru nas chuvas, a Nações Unidas é, sem dúvida, um dos mais preocupantes. Na avenida, além do alto volume de água que se acumula, a força é descomunal, chegando a arrastar e tombar veículos. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) assume que a única solução para o problema seria conseguir uma verba federal e irá propor até mesmo a renaturalização do Ribeirão das Flores.

Hoje, esse afluente do Rio Bauru está canalizado abaixo da avenida. Porém, a tubulação é pequena para captar toda a água que vai se formando ao longo dos 10 quilômetros da Nações. Por isso, uma das ideias do prefeito seria desfazer o que foi feito no passado. “Uma das ideias que eu sempre defendi seria renaturalizar o Ribeirão das Flores”.

A proposta seria abrir o canteiro central da avenida e, nos cruzamentos, deixar canalizado. “Seriam espécies de microbacias”, explica Agostinho. “Com isso, ficaria a céu aberto e haveria maior capacidade de captar a água das chuvas. É algo que vem sendo feito no mundo todo. Antes, os rios eram locais de esgoto. Isso mudou”, complementa.

Contudo, o prefeito afirma que sua proposta foi “voto vencido” algumas vezes. “Eles dizem que há uma dificuldade de fazer a manutenção e que é um problema de segurança. Mas o projeto de drenagem da Nações será feito e eu irei fazer essa proposta”, relata.

Porém, ser voto vencido não é o maior problema de Agostinho. É que a obra grandiosa, que envolveria abrir todo o canteiro central e mexer também na largura da via, custaria muito dinheiro. “A prefeitura não tem esse dinheiro. Estamos esperançosos em conseguir, no próximo semestre, uma verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.

Porém, e se a verba federal não vier? “Aí não tem jeito. Não há uma solução mágica”, responde Rodrigo Agostinho.

Recanalizar

A outra opção – que também requer grande volume em dinheiro – seria recanalizar o Ribeirão das Flores. “Iremos contratar a empresa para realizar o projeto. E ela vai passar os valores exatos. Porém, avaliamos que a obra estará orçada em R$ 100 milhões”, aponta o prefeito.

E é uma obra que daria também muito trabalho. A Nações Unidas seria aberta de fora a fora. Depois, o rio seria recanalizado, porém, com tubulação de capacidade muito mais ampla.

O projeto envolve ainda construir galerias em grande parte das vias que cortam a Nações Unidas. “Muitas dessas vias não têm galerias. Então, a água desce pela rua mesmo. Iríamos fazer galerias em todas”, afirma o prefeito.

Com isso, o volume de água que desembocaria no Rio Bauru, na Nuno de Assis, seria muito maior do que já é hoje. Para não gerar novo problema, teriam que ser construídas, ao menos, cinco barragens (duas no Ressaca, duas no Grama e uma no Forquilha) para que o Rio Bauru não transbordasse.

“Essa grande obra seria o que resolveria o problema da Nações, mas não temos esse dinheiro. Repito: se não tiver a verba federal, não há solução mágica”, conclui Rodrigo Agostinho.

E não vai parar de chover

Conforme o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o tempo seguirá chuvoso ainda hoje, com possibilidades de pancadas fortes como a dos dois últimos dias. Por isso, a população deve ficar alerta.

Segundo o IPMet, entretanto, o tempo deve começar a melhorar perto do fim de semana, com possibilidades de o sol aparecer entre sexta-feira e sábado, quando a temperatura máxima aumentará gradativamente, atingindo os 28 graus no domingo.

A temperatura mínima, contudo, deve permanecer a mesma.  “As manhãs serão mais frias e as tardes mais quentes”, reforça o meteorologista Fernando Tavares.


Chuva acima da média

Juntas, as chuvas dos últimos dois dias já superaram a média esperada para todo o mês de maio, que, de acordo com o IPMet, é de 87 milímetros. Por volta das 20h de ontem, o instituto apontava que o acumulado já era de 102,6 milímetros.

“O acumulado dos dois últimos dias é significativo. A tempestade de hoje (ontem) foi favorecida por um sistema de baixa pressão”, explica o meteorologista Fernando Tavares.

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