08 de julho de 2026
Geral

Temporal volta a castigar Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

A forte chuva que acometeu Bauru ontem voltou a causar transtornos. No início da manhã, a sensação era de que um dilúvio tomaria conta da cidade em meio aos raios e trovões. Por volta das 8h, já era possível notar motoristas se arriscando na travessia dos rios formados pelas enxurradas em avenidas consideradas pontos críticos como a Nações Unidas, no Centro, a Waldemar Guimarães Ferreira, na Vila Dutra e a Alfredo Maia, na Vila Falcão.

Por conta das descargas elétricas, semáforos de alguns cruzamentos no Centro de Bauru acabaram se desligando e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) deslocou agentes de trânsito para orientar os motoristas, enquanto o reparo era realizado.

Apesar de intensa por alguns momentos, a chuva de ontem, segundo avaliou a Defesa Civil do Município logo no início do dia, resultou em danos de menor escala, se comparada à pancada de anteontem, quando carros chegaram a ser arrastados e ficaram submersos nas avenidas em meio ao temporal.

“A situação foi praticamente a mesma, mas em menor escala. Muita gente se aventurando na água por aí e os mesmos pontos alagando”, aponta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Interdições

Por causa da chuva, trechos como o da avenida Nações Unidas sob o viaduto da linha férrea, o da quadra 1 da avenida Alfredo Maia e do viaduto sobre o córrego da Grama, na avenida Waldemar Guimarães Ferreira, precisaram ser interditados durante a manhã. A liberação foi realizada algumas horas depois, após o trabalho de limpeza das equipes da Secretaria Municipal de Obras.

Outras vias como a Comendador José da Silva Martha, na região da linha férrea, também ficaram alagadas e necessitaram de maior atenção por parte dos condutores e pedestres que transitavam pelo local.

Durante todo o dia, viaturas da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros, assim como os agentes de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), se deslocavam para os pontos críticos com objetivo de efetuar o apoio ao tráfego.

Devido às interdições, alguns ônibus circulares registraram atrasos nas linhas e um itinerário do transporte coletivo precisou ser alterado ao longo da manhã. “A linha Sabiá-Samaritana e Sabiá-Higienópolis está realizando desvio pela Quinta Ranieri antes de chegar em seu ponto final”, comunicou a Associação das Empresas de Transporte Coletivo de Bauru (Transurb).

Solapamento

Já na quadra 20 da avenida Nações Unidas, as enxurradas fizeram o asfalto ceder e resultaram em um buraco de quase dois metros de extensão e um de comprimento. No local, a reportagem flagrou dezenas de motoristas realizando manobras arriscadas para desviar. Até o final da manhã, não havia nenhum tipo de interdição no trecho.

Rio Bauru

Por muito pouco, a chuva de ontem também não fez com que o rio Bauru transbordasse e alagasse a avenida Nuno de Assis. A imagem flagrada pelo JC mostra que a água chegou próxima ao nível de uma das pontes que possibilita o cruzamento com a Nuno de Assis.

Alfredo Maia

A pancada de chuva de ontem também voltou a alagar a avenida Alfredo Maia, que logo no início da manhã teve o trânsito impedido. Para chegar até a Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes), funcionários da pasta e a população tiveram que improvisar no trajeto, passando por dentro da área da empresa América Latina Logística (ALL).

Apesar do transtorno, a secretária do Bem Estar Social, Darlene Tendolo, informou que o atendimento não foi prejudicado. “O fluxo de atendimento está normal, mas estamos em alerta. Avisamos todos para que não estacionem no trecho sujeito a alagamento”, pontua a secretária.

Contudo, uma Brasília de um morador das imediações teria ficado submersa logo no início da manhã, conforme o Corpo de Bombeiros. “A Alfredo Maia voltou a encher hoje (ontem), mas a situação já foi controlada e não houve outros danos. Só o caso da Brasília”, reforça o sargento Arnaldo Bezerra.


Nações: ‘rio’ de novo

Um dia após ter sido palco de lamentações por ter abrigado o mar de lama que arrastou carros e quase causou acidentes mais graves, a avenida Nações Unidas voltou a inundar ontem.

Na quadra 25, um motociclista acabou derrubado pela força da água.

Também na Nações Unidas, uma mulher grávida foi resgatada ontem de manhã, no canteiro central da via tomada pelas águas da enxurrada.  Com a chegada da viatura da Polícia Militar, dois homens lançaram-se em auxílio da gestante, que foi transportada em segurança a um local onde a chuva não mais a colocava em risco.


Desabamento

A chuva contínua de dois dias quase provocou uma tragédia no Jardim Prudência, na tarde de ontem. Devido à grande quantidade de água que encharcou a terra, um muro de cerca de 2,5 metros de altura acabou desabando sobre uma residência localizada na quadra 2 da rua Torquato Gonçalves de Andrade.

Parte do tijolo e concreto caiu sobre o telhado da casa, que foi construída em desnível e fica cerca de um metro de altura abaixo do terreno ao lado. Outra parte ficou escorada sobre a parede lateral do imóvel e precisou ser retirada com a ajuda do Corpo de Bombeiros.

“Se tivesse alguém passando no corredor, com certeza teria morrido. Ficamos apavorados”, conta a moradora Bruna Nogueira Costa, 22 anos, mãe de uma criança de apenas 2 anos, que estava com ela dentro da residência no momento do desabamento.

A bicicleta do marido, Douglas Antonio da Costa, 24 anos, estava no corredor e foi encoberta pelo muro despedaçado. De acordo com a Defesa Civil, a estrutura da residência não foi comprometida.


Ruas de terra

Moradores de bairros que contam com ruas de terra, mais uma vez, sofreram para chegar em casa, na tarde de ontem. Por volta das 17h, o funcionário público Maurício Aparecido Silva, 40 anos, morador do Jardim Tangarás, caminhava na chuva, em meio à lama, logo depois de sair do trabalho.

“Toda vez que chove é a mesma coisa. Forma erosão e, quando a lama fica fofa, só da para passar colocando sacolinha (plástica) no pé”, ensina. No final da manhã, a Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Lílian Aparecida Passoni Hadad teve o pátio, a cozinha e uma sala de aula alagados após o sistema de calhas não suportar o volume de água da chuva. Mesmo com o transtorno, as aulas não foram suspensas.


Na lama

A chuva forte também foi sinônimo de susto para o pedreiro Antônio Edvan da Silva, de 34 anos, que levou a pior após tentar arriscar a travessia entre os bairros Vila Dutra e Nova Esperança pela ponte do Córrego da Grama, na Waldemar Guimarães Ferreira.

“Eu até vi que tinha muita lama e que a água batia no joelho, mas achei que fosse conseguir passar”, conta o homem que ficou no local por quase uma hora debaixo de chuva tentando desatolar o carro.

A lama em questão, conforme explica o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, é oriunda de uma grande erosão próxima a um residencial nas imediações e seria retirada do local ainda ontem. “Aquele local é problemático. A lateral do viaduto também está rachada, mas nada que tenha afetado a estrutura”, complementa Brito.

Na chuva da última segunda-feira, uma mulher de 57 anos relatou ao JC que seu carro teria ficado atolado no mesmo trecho.