09 de julho de 2026
Nacional

Dentista queimado corre risco de morte, diz hospital

Por Reynaldo Turolo Jr. | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O dentista Alexandre Gaddy, 41 anos, queimado por criminosos em São José dos Campos (a 97 km de São Paulo) na noite de anteontem, corre risco de morrer, informou a Santa Casa de São José dos Campos.

Gaddy foi transferido do Hospital Municipal da Vila Industrial para a Santa Casa de São José dos Campos na manhã de ontem. Segundo o diretor técnico do hospital, José Roberto Tavares, o estado dele é grave e há risco de morte porque a possibilidade de infecção é muito alta.

Segundo o médico, Gaddy apresenta queimaduras - algumas delas de terceiro grau - em cerca de 60% do corpo, sobretudo no tórax e nos braços, quadro de insuficiência renal e grande perda de líquido do organismo.

“Ele está em sedação profunda, por prazo indeterminado, porque a dor é muito grande”, disse Tavares.

Sobre as investigações do caso, o delegado seccional Leon Ribeiro afirmou que as câmeras de segurança do consultório de Gaddy não estavam gravando no momento do crime.

A polícia ainda não sabe o que fez com que os criminosos ateassem fogo ao corpo do dentista. Por volta das 21h, ele foi levado ao banheiro do consultório e amarrado. No banheiro foram encontrados uma embalagem de álcool e um isqueiro. Os documentos pessoais do dentista estavam no lixo, todos queimados.

O próprio dentista conseguiu se soltar e gritar por ajuda. Ele foi socorrido por pessoas que passavam na rua e ouviram os gritos. Quando a ajuda chegou, Gaddy já estava no corredor do consultório.

Antes de ser socorrido, consciente, Gaddy relatou que dois homens encapuzados haviam entrado no consultório para roubá-lo. Segundo o boletim de ocorrência, o dentista disse que não seria capaz de identificar os homens, devido aos capuzes.

A polícia buscava na tarde de ontem imagens de câmeras de imóveis vizinhos e do Centro de Operações Integrado (COI) da prefeitura, que tem câmeras na rua em frente ao consultório, para tentar identificar os responsáveis pelo ataque. Segundo o delegado seccional, não havia pistas até a tarde de ontem.

“A principal linha de investigação é de que teria sido tentativa de roubo, pelos indícios encontrados, mas nenhuma hipótese está descartada”, disse Ribeiro, após ser questionado sobre a possibilidade de um crime de mando.

Nada foi levado, mas a polícia informou que encontrou celular e laptop prontos para serem roubados. O delegado disse que uma das hipóteses é que, ao atear fogo ao dentista, ele tenha começado a gritar, assustando os ladrões, que fugiram sem levar nada.

Entre as questões que precisam ser esclarecidas, afirmou o delegado, está o motivo de terem levado o dentista ao banheiro e ateado fogo, a forma como a dupla entrou no consultório - não havia sinais de arrombamento - e por que os documentos pessoais de Gaddy foram queimados e jogados no lixo do banheiro.

A polícia descartou relação com o caso da dentista Cinthya Magaly de Souza, morta queimada por ladrões em seu consultório, em São Bernardo do Campo (na Grande São Paulo), em 25 de abril deste ano.