08 de julho de 2026
Nacional

Justiça determina prazo de 24h para que índios deixem Belo Monte

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Lunae Parracho/Reuters

A Justiça Federal estipulou prazo de 24 horas para que os índios deixem a usina hidrelétrica de Belo Monte

A Justiça Federal em Altamira (PA) deu prazo de 24 horas, a partir desta terça-feira (28), para que os cerca de 140 índios que invadiram a obra da usina hidrelétrica de Belo Monte nesta semana deixem o local.


Os índios mundurucu que encabeçam o protesto afirmam que irão manter a manifestação e exigem a presença do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) ou da presidente Dilma Rousseff.


Segundo os indígenas, um oficial de Justiça esteve no local acompanhado por cerca de 200 policiais e com o mandado de reintegração de posse, que foi rasgado pelos manifestantes.


"A Polícia Federal pode nos matar que não vamos sair daqui. Não queremos conflito, somos pessoas do bem", disse o índio Cândido Munduruku, 24, uma das lideranças do movimento.


Eles reivindicam a suspensão de todos os estudos e construções de barragens no país que impactem terras indígenas e a regulamentação da consulta prévia a índios nesses casos.


Em nota divulgada hoje, o consórcio responsável pela construção da usina afirmou que a invasão tem sido violenta, e que os índios tomaram cinco ônibus que transportavam trabalhadores, ocuparam as portarias de acesso a um dos canteiros da obra e tomaram "dezenas" de rádios de comunicação da equipe de segurança patrimonial.


"Entendemos que o cenário acima não pode ser descrito como uma "ocupação pacífica'", diz a nota do CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte).


A determinação judicial atendeu a uma ação de reintegração de posse proposta pela Norte Energia, responsável pela operação da usina.


Na decisão, o juiz federal Sérgio Wolney Guedes determinou que a Funai (Fundação Nacional do Índio) retire os índios de forma pacífica.


A decisão prevê multa de R$ 50 mil por dia aos índios e à Funai em caso de descumprimento, e determina que a Polícia Federal investigue a possível participação de não índios na invasão do canteiro.


A reportagem não conseguiu contato com a Funai na noite de ontem.