Uma família, moradora da zona rural de Bauru, afirma ter sido confundida com traficantes e torturada por policiais militares em um posto de combustíveis localizado em Tupã (185 quilômetros de Bauru), na madrugada da última sexta-feira. O caso só foi registrado nesta semana - e mostrado ontem pelo JC.
Um casal de produtores rurais e outros dois amigos teriam sido abordados e agredidos quando pararam para pedir informação em um posto de combustíveis, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros. Todas as supostas vítimas pediram sigilo da identidade porque afirmaram terem sido ameaçadas de morte.
Quase uma semana depois da ação, três das quatro pessoas procuraram o Plantão Policial de Bauru ontem para registrar boletim de ocorrência. Tudo começou quando o casal de produtores rurais, de 42 anos de idade, resolveu ajudar uma amiga, de 46 anos, e levá-la para Pirajuí (58 quilômetros de Bauru).
“Eu e minha esposa resolvemos ajudar porque já fui motorista e tenho habilitação. Ela precisava ir para Pirajuí na casa de uma amiga, e acabamos levando esse outro amigo nosso, de 18 anos. Mas eu errei o caminho antes de chegar a Pirajuí e acabei pegando a rodovia no sentido de Marília. Como nós não víamos nenhuma placa indicando Pirajuí, paramos em um posto de combustíveis que fica na rodovia, porque ali tinha um vigilante. Foi nesse momento que apareceram as viaturas da Polícia Militar”, contou o produtor rural.
A cozinheira de 46 anos relatou que cinco policiais a levaram para um canto escuro e a agrediram com socos e tapas.
Exames
O caso foi registrado na Polícia Civil como tortura e um inquérito policial será instaurado para apurar o fato. Consultado sobre o caso, o capitão Alan Terra, oficial de relações públicas do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), explicou o procedimento padrão nestes casos, já que o fato aconteceu em Tupã, área do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4).
“Nestes casos a pessoa deve registrar o boletim de ocorrência, realizar exame no IML para constatar as lesões e, em seguida, procurar o CPI-4, para formalizar uma queixa. Isso provavelmente irá se transformar em um inquérito da Polícia Militar, que tem total interesse em apurar o que realmente aconteceu”.