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Malavolta Jr. |
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O servente de pedreiro José Renato do Nascimento com os filhos Jhonatan e David (ao fundo) |
A casa ampla, à primeira vista, dá a impressão de abrigar, confortavelmente, uma família feliz. Mas o servente de pedreiro José Renato do Nascimento, 45 anos, tem enfrentado sérias dificuldades para garantir dignidade aos dois filhos adolescentes, Jhonatan, 16 anos, e David, 15 anos, que possuem necessidades especiais.
O imóvel, localizado no Jardim Redentor, foi herança do avô dos meninos, que também ajudava José Renato a sustentar os filhos. Mas, desde a morte do idoso, há um ano, a situação só se deteriorou.
Por falta de pagamento, o fornecimento de água e energia da residência foi cortado no final de 2012. Solidário, um vizinho se dispôs a fazer uma ligação clandestina que restabeleceu a eletricidade da casa. “Mas nem passo a roupa deles para não gastar muita energia, já que é o vizinho que está pagando a conta. Para tudo, a gente precisa fazer economia”, comenta o servente.
Ele deixou de trabalhar para cuidar dos filhos há sete anos, quando se separou da mulher, com quem teve outras duas crianças, de 8 e 6 anos. Assim como os irmãos mais velhos, elas possuem atraso de desenvolvimento psicomotor, possivelmente devido a fatores genéticos.
No período da manhã, os adolescentes frequentam a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). À tarde, Jhonatan vai para as aulas do ensino regular, enquanto David fica em casa. Por não ter com quem deixá-lo, José Renato diz não ter como trabalhar. “Ninguém quer funcionário em meio período na construção civil”, argumenta.
Para sobreviver, a família conta apenas com R$ 678,00, salário mínimo garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) a pessoas com deficiência. O benefício foi concedido apenas a David. Na Apae, o mais velho, Jhonatan, participa de um curso de capacitação profissional na expectativa de ingressar no mercado de trabalho e, assim, ajudar o pai nas despesas da casa.
Constrangimento
Com menos de R$ 700,00 mensais, José Renato diz que consegue fazer muito pouco pelos meninos. Até agora, David ainda vai para a escola sem todos os materiais pedidos pela Apae. Jhonatan, por sua vez, ainda não conseguiu comprar o uniforme completo pedido para o curso profissionalizante.
Recentemente, o adolescente acabou perdendo o cartão de vale-transporte na rua e, até que uma segunda via seja emitida, o dinheiro para o ônibus precisa sair de casa. “São R$ 9,00 por dia. Amanhã (hoje), já não sei se vai dar para ele ir à aula. Sei que é um constrangimento na vida dos meus filhos, mas a gente faz o que dá para fazer”, destaca José Renato.
Sem água encanada, o banho tem de ser providenciado pela água recolhida da chuva ou do vazamento do hidrômetro, que pinga noite e dia. “Coloquei um pote ali embaixo, porque é água que não dá para ser desperdiçada. É água limpa e com ela eu faço comida, lavo roupa, limpo a casa”, enumera.
Passeios nos fins de semana, diz o pai, quase nunca ocorrem. Há algum tempo, os adolescentes têm insistido para irem visitar a Feira do Rolo. Aos poucos, José Renato diz que está fazendo uma reserva financeira para que eles possam escolher algum produto à venda no local. “Quando der, a gente vai. É um sacrifício que vale a pena, porque eu sei que eles vão ficar felizes”, diz.
Desconto
Já o Departamento de Água e Esgoto (DAE) informou que famílias que recebem até três salários mínimos e consomem até 70 quilowatts de energia por mês podem solicitar desconto na conta de água. A isenção é oferecida, mediante cadastro no Poupatempo, para cinco metros cúbicos de consumo.
O abatimento é pequeno diante do montante utilizado pela família de José Renato do Nascimento. Quando o fornecimento em sua residência ainda não havia sido cortado, ele e os dois filhos gastavam cerca de 20 metros cúbicos por mês.
Negociação
José Renato do Nascimento conta que, nesta semana, negociou a dívida de quase R$ 400,00 que tinha junto à CPFL. Uma parcela de R$ 125,00 foi paga pelo vizinho, mas, no momento de fazer a religação, a equipe técnica informou que seria necessário comprar uma nova caixa de energia, que custa cerca de R$ 90,00. “O resultado é que, mesmo fazendo acordo, continuei sem luz em casa”, lamenta.
Procurada, a CPFL informou que consumidores de baixa renda podem ser beneficiados pelo Programa CPFL na Comunidade que, entre outras ações, reforma instalações elétricas de residências, substitui geladeiras e chuveiros por equipamentos mais eficientes e distribui kits de lâmpadas econômicas. O projeto prevê ainda descontos nas contas de energia elétrica, que variam de acordo com as condições sociais e financeiras dos usuários.
Para participar, no entanto, é preciso ter o número de identificação social (NIS), que pode ser obtido, mediante apresentação de documentos, na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), localizada na quadra 1 da avenida Alfredo Maia.
Ajuda
Interessados em ajudar a família de José Renato do Nascimento com alimentos, dinheiro, roupas, materiais escolares e até a caixa de energia elétrica podem entrar em contato com o vizinho dele, Marcos Alberto Piacitelli, pelos telefones (14) 9687-9612 ou (14) 8155-0535. A colaboração também pode ser entregue pessoalmente, no período da tarde, na rua São Joaquim, 1-42, no Jardim Redentor.