A divulgação dos dados do Produto Interno Bruto brasileiro, indicando o baixo crescimento, 0,6% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, confirma que a "galinha" brasileira é teimosa, ou melhor, tenho dúvidas se ela é teimosa ou os donos da granja! A economia brasileira tem sido comparada a um voo da galinha e sabemos que galinha não voa. A teimosia vem no sentido de o país não conseguir romper com o modelo em que o crescimento econômico não se sustenta ao longo do tempo.
Em determinado momento parece que vamos deslanchar, nos tornando uma grande águia e em seguida nos damos conta que nosso DNA de galinha não nos permite ir além do que estamos conseguindo. Voltando ao desempenho da economia, a coisa só não foi mais feia porque a geração de riqueza da agropecuária nacional cresceu 9,7% no período, compensando a queda de 0,3% no desempenho do setor industrial.
Já não contamos mais com o apetite em consumir das famílias brasileiras, que sustentaram o crescimento nos últimos anos. Este indicador ficou estável em 0,1%. O índice de crescimento do PIB de 0,6% é quase a metade da expectativa do mercado, que aguardava um índice de 1,05%. Isso nos remete a projetar que o crescimento econômico no ano fechado, ou seja, em 2013, irá ficar abaixo dos 3%. Modelos econométricos apontam para 2,7%, muito aquém dos 3,5% inicialmente previstos. E estamos falando em comparar com um PIB de 2012 que foi frustrante. Observem que mesmo com uma base precária, o país ainda patinará este ano.
A perspectiva da análise melhora quando comparamos o desempenho brasileiro com idêntico período do ano passado, ou seja, primeira trimestre deste ano com o primeiro trimestre de 2012: crescimento de 1,9%, ficando acima do México (0,8%) e Rússia (1,6%), mas ficamos abaixo do crescimento de países como Chile (4,1%) e Argentina (2,7%). Além do pífio crescimento econômico, ainda convivemos com pressão sobre preços, portanto, o pior dos mundos para o governo da Dilma Rousseff. Seu mandato está chegando ao terceiro ano sem que a ave que simboliza nossa economia fosse alterada. São os donos atuais da granja.
Não adianta mais utilizar a crise econômica mundial para justificar o fraco desempenho interno, pois está mais que evidenciado que o governo brasileiro não cumpriu o básico na condução da política econômica brasileira, principalmente no tocante aos ajustes das contas públicas, que, por sinal, neste particular estão sendo efetuadas verdadeiras "gambiarras contábeis" para cumprir as metas fiscais. Sem política fiscal consistente e austera, a volta do uso da política monetária é inevitável, engessando ainda mais uma economia que precisa de um choque de investimentos para ampliar a oferta e garantir sustentação ao longo do tempo. Os gargalos estão cada vez mais evidentes, enquanto isso a galinha sorri, cisca daqui para lá, foge do galo com pouca vontade em botar ovos, e quando o faz, mais parece um ovo de codorna. Essa galinha chamada economia brasileira é teimosa mesmo! Ou serão os donos da granja?
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC