O longa “Faroeste Caboclo”, que estreia oficialmente hoje em Bauru (confira a programação dos cinemas na página 25), deve ser o único filme que, ao final, em vez de se levantar assim que os créditos entram na tela, o público não só fica até o final dos mais de nove minutos de letreiros como ainda canta junto. Mérito da canção de mesmo nome composta por Renato Russo nos anos 80, que se tornou clássico do rock brasileiro e inspirou a produção que estreia agora sob grande expectativa.
Para se ter uma ideia, somente o trailer do filme foi visto na internet por mais de 2 milhões de pessoas. Dirigido por René Sampaio, “Faroeste Caboclo” segue a epopeia do lendário João de Santo Cristo, mas toma algumas liberdades narrativas necessárias e acertadas, como desenvolver mais na trama o romance entre Santo Cristo e Maria Lúcia (Ísis Valverde), que na trama é filha de um senador (vivido por Marcos Paulo).
Outra é a escolha de seu protagonista, o ator baiano Fabrício Boliveira, que tem a responsabilidade de dar vida ao herói. Boliveira, que conheceu a canção por meio de uma namorada, acredita que este papel é oportunidade de dialogar com o público. “Santo Cristo é a cara do brasileiro que luta contra o preconceito”, comenta o ator. Sobre “Faroeste”, o ator falou à reportagem:
Para você, sobre o que é “Faroeste Caboclo”?
Fabrício - É um retrato do que todos somos. Do negro, do nordestino pobre, daqueles que construíram a nossa história, nossas cidades, com sua mão de obra. Veja São Paulo e Brasília. É isso.
É sobre a formação do Brasil?
Fabrício - Sim. É sobre como nós produzimos nossa história e também nossos monstros, sobre como o caráter de um cara vai sendo deformado. Santo Cristo é tanto o menino do sertão quanto um menino de uma favela do Rio, para quem é dito desde sempre que pegar em armas vai ser sua única chance de sobreviver. Ele não quer, mas o negócio o cerca de novo. É de como a sociedade diz: “Você não pertence a este lugar” - como disse e ainda diz para mim também.