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Davi Henrique/Divulgação |
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Paralisação da rodovia foi pacífica e contou com 96 índios de quatro aldeias |
Quatro aldeias e aproximadamente 96 índios da reserva Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), fizeram um protesto na tarde desta sexta-feira (31) na vicinal que liga a cidade a Duartina, próximo ao quilômetro 7 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros. A ação ocasionou a interdição da via com tratores e pneus queimados, resultando em um congestionamento de vários veículos.
A manifestação foi em repúdio e luto a morte de um índio terena de 35 anos e outros três que ficaram feridos. Eles foram vítimas de um conflito com a polícia que atuou nesta quinta-feira (30) em uma reintegração de posse na cidade de Sidrolândia, a cerca de 60 quilômetros da capital sul-mato-grossense, Campo Grande.
De acordo com o Davi Henrique da Silva, um dos líderes indígenas, a manifestação em Avaí teve início às 15h e se estendeu até o final da tarde. Duas viaturas da Polícia Militar (PM) e o helicóptero águia da PM de Bauru acompanharam o movimento.
“Virou uma rotina, qualquer confusão um índio morre”, comentou Davi.
Entenda o caso
Nesta quinta-feira policiais federais e militares chegaram para cumprir a ordem judicial de reintegração de posse e retirar os índios da fazenda Buriti, ocupada desde o último dia 15 de maio. A propriedade pertence ao ex-deputado estadual Ricardo Bacha.
A reintegração de posse foi autorizada na quarta (29) à tarde, pelo juiz substituto da 1ª Vara Federal de Campo Grande, Ronaldo José da Silva, após reunião entre os índios e os donos da fazenda, inclusive Bacha. Segundo a Polícia Federal, os índios resistiram à ação policial. Informações preliminares, ainda não confirmadas pela PF, dão conta de que a sede da fazenda chegou a ser incendiada, antes do confronto.
De acordo com o Cimi, a fazenda fica no interior da Terra Indígena Buriti, declarada pelo Ministério da Justiça como de ocupação tradicional, em 2010. Dos 17 mil hectares reconhecidos, os índios ocupam hoje apenas 3 mil hectares (10 mil metros quadrados).
Uma primeira tentativa de desocupar a área foi abortada pela PF no último dia 20, quando os índios também resistiram à ação policial determinada pela Justiça que, diante do conflito, suspendeu a ordem de reintegração até que proprietários e índios realizassem reunião de conciliação. A reunião aconteceu na quarta e, como não houve acordo, o juiz Ronaldo José da Silva autorizou a desocupação da propriedade.