09 de julho de 2026
Polícia

Garoto pede socorro após acidente

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Como qualquer garoto de 12 anos, Benedito de Souza Rodrigues, ainda se encanta com super-heróis. Na noite de anteontem, foi ele quem demonstrou ‘armadura e nervos de aço’ ao sair do carro acidentado em que estava e pedir ajuda, no quilômetro 225 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú), praticamente na divisa entre Bauru e Pederneiras, próximo ao Vale do Igapó. Ele parou três veículos que, por muito pouco, não flagraram o Corsa branco em que sua família viajava colher um equino, no sentido Bauru-Jaú.


Por conta do desastre, três passageiros do automóvel ficaram em estado grave, inclusive o primo de Benedito, Lucas Rodrigues Bento, 6 anos.  “Foi tudo muito rápido. Não deu para ver o cavalo antes. Depois da batida, abri os olhos e imediatamente coloquei as mãos no coração do Lucas. Vi que estava batendo’, comenta. Então, saiu do automóvel em busca de ajuda, enquanto o condutor do Corsa, placas DDL 3862, Rodrigo Montagner Bento, 37 anos, tentava socorrer os outros três passageiros feridos gravemente.


Benedito estava no banco traseiro, logo atrás do motorista. Ao lado dele estava Lucimara Helena Rodrigues Bento, 36 anos, e, na sequência, o filho dela, Lucas. Rodrigo, que dirigia o carro e é motorista profissional, é marido de Lucimara e pai de Lucas. “Como ele é muito bom na direção, conseguiu segurar o carro e pará-lo no acostamento, mesmo sem enxergar nada (o vidro estava estilhaçado). O cavalo caiu na direção da minha tia”, comenta o garoto, que sofreu ferimentos leves.

Aceituno Jr.

Ao abrir os olhos após a colisão, Benedito pôs as mãos no peito do primo para checar se ele estava vivo



Gravidade


Já Cristiano Donizetti de Oliveira, 25 anos, que seguia viagem no banco da frente, foi socorrido em estado grave. Segundo a família, ele sofreu traumatismo craniano, além de politrauma. Até o fechamento desta edição, ele permanecia internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Base, assim como Lucimara. Ela também sofreu traumatismo craniano, que teria provocado um edema cerebral, além de trauma no olho direito.


O caso mais grave, porém, é de Lucas, que foi reanimado no local do acidente e está internado na UTI da Unimed. Além do traumatismo craniano, sofreu um hematórax – hemorragia na região do tórax -, embora estivesse na cadeirinha. “Estava todo mundo de cinto de segurança”, comenta Benedito. Após o acidente, ele e Rodrigo também foram encaminhados ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde ficaram em observação até a manhã de ontem. O cavalo colhido, que abriu o teto do veículo, morreu no local. Ninguém sabe quem é seu proprietário.

 

Família participaria de Corpus Christi em Igaraçu

Todos os ocupantes do Corsa branco que colheu o cavalo na Bauru-Jaú, anteontem à noite, seguiam para Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru), de onde são oriundos. Vieram para Bauru, onde Cristiano Donizetti de Oliveira mora com um primo e um amigo, porque Lucimara Helena Rodrigues Bento fez prova de magistério.


Ela é professora, assim como Cristiano, que leciona na escola estadual Major Fraga, no Distrito de Tibiriçá. Nos finais de semana, porém, Cristiano volta parava Igaraçu, onde tem uma banda católica. Anteontem, ele tinha combinado um ensaio  com outros músicos, pois se apresentariam na festa de Corpus Christi que, por conta do tempo chuvoso da última quinta-feira, foi transferida para hoje.


Seu atraso chamou atenção de parentes que, por fim, foram informados do acidente.

De quem é o cavalo?

A questão do título acima é contumaz entre os parentes da família acidentada anteontem, no quilômetro 225, da rodovia Bauru-Jaú (SP-225). Porém, tanto para eles quanto para outros entrevistados pelo Jornal da Cidade, provavelmente o proprietário jamais aparecerá, como é comum em casos como este. Caberá à Polícia Civil de Pederneiras, onde o desastre foi registrado, tentar identificá-lo. O problema de animais na pista, inclusive, é antigo nas estradas que cortam Bauru e região.


Em Bauru, a SP-294, conhecida como Bauru-Marília - embora oficialmente receba o mesmo nome da SP- 225, ou seja, rodovia Comandante João Ribeiro de Barros - é a campeã de reclamações, segundo informações do Policiamento Rodoviário e do Corpo de Bombeiros, além de queixas encaminhadas à redação. Quase dia sim, dia não, bovinos e equinos são vistos circulando pela pista, sob a jurisdição do Departamento de Estradas e Rodagem (DER).


Mas segundo a assessoria de imprensa do órgão, a região é monitorada e, quando constatados, os animais são recolhidos da pista em caminhões. Também são realizadas campanhas educativas com moradores de imóveis situados próximo à pista, informa o departamento de comunicação. Trabalho semelhante também seria realizado pela Centrovias, concessionária que administra o trecho ontem o acidente de anteontem foi registrado.


A informação foi passada pelo Policiamento Rodoviário, já que a reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa. No entanto, próximo ao local do desastre, foram constatadas ao menos duas cercas cortadas, por onde o animal atropelado anteontem pode ter saído, antes de invadir a pista de rolamento e ser colhido pelo Corsa branco.


Por conta da situação, parentes da família acidentada cogitam a possibilidade de acionar judicialmente a concessionária. Em dias e noites frios, o risco de animais na pista aumenta porque o asfalto retém calor e eles se aproximam na tentativa de se aquecerem, confirma o Policiamento Rodoviário.


De acordo com a PM, em casos desta natureza, o motorista tem pouco a fazer. Mas, se o condutor respeitar a velocidade máxima estabelecida e ele, assim como os passageiros, estiver com cinto de segurança, as chances de sobrevivência são maiores.