A oferta reduzida de fibras e o aumento da demanda doméstica por embalagens de papelão ondulado podem provocar um desarranjo no mercado de papéis utilizados para a confecção de papelão ainda em 2013. Em um cenário mais agudo, é esperado que as entregas levem um tempo maior do que o natural para serem realizadas durante os meses de setembro a novembro, o período mais aquecido do ano para o setor.
Estudos de entidades da cadeia apontam que o estoque de papéis utilizados na produção de papelão, casos do reciclado e do kraftliner feito a partir de fibras virgens, pode chegar a um nível próximo de cinco dias no quarto trimestre.
Tradicionalmente, os estoques da cadeia oscilam entre 15 e 20 dias. “Temos a previsão de um mercado bastante estressado em termos de matéria-prima. Mas acredito que, se o mercado entender a alta dos custos, passaremos com tranquilidade (por esse período)”, minimiza o presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Ricardo Trombini.
A alta dos custos citada por Trombini será repassada aos clientes, segundo apurou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado). Com melhores preços, a indústria brasileira de papelão ondulado pretende remunerar os fornecedores e, dessa forma, desestimular as exportações de matéria-prima. A Klabin, por exemplo, exportou 48 mil toneladas de kraftliner no primeiro trimestre, o equivalente a 53% de suas vendas nesse segmento.
O provável aperto entre oferta e demanda no segundo semestre, quando o volume de vendas cresce substancialmente para atender as necessidades de final de ano, tem origem na crise da economia mundial em 2008.
Sem expansão
Diante do cenário adverso e consequente retração dos preços e margens, as empresas brasileiras abandonaram projetos de expansão. Além disso, a Klabin interrompeu em 2009 as operações da fábrica de papéis reciclados de Ponte Nova (MG) - a unidade foi vendida para a Indústria de Embalagens Tocantins, que deve reiniciar a produção local nas próximas semanas.
Também por conta do momento adverso da economia, os preços das aparas caíram, reduzindo o trabalho de coleta e reciclagem do material. No mesmo período, grandes fabricantes do hemisfério Norte anunciaram uma onda de fechamento de fábricas, o que abriu espaço para novas exportações brasileiras.
Na prática, a oferta de fibras encolheu e passou a ser mais disputada também por clientes estrangeiros, o que já provocou preocupações anteriores no setor. No final de 2012, os estoques caíram para o equivalente a 12 dias de produção. Como reação, a Klabin anunciou investimentos de R$ 300 milhões na compra de uma nova máquina de papéis reciclados, a ser instalada na unidade de Goiana (PE).
O equipamento, porém, entrará em operação apenas em meados de 2014. Empresas como Rigesa e Fernandez, além da Tocantins, também ampliarão a oferta de papéis, garantindo assim maior segurança de abastecimento ao mercado a partir no próximo ano.
“Se o segundo semestre mantiver o ritmo de crescimento do início do ano, é possível termos um período mais apertado, sugerindo escassez de papel”, analisa o diretor de negócios Papel e Embalagem da Celulose Irani, Sérgio Ribas.