08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Padre Beto


| Tempo de leitura: 1 min

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada"
Pasárgada, de Manuel Bandeira, era a fuga, a saída para outro mundo, ainda que inexistente. O sonho imaginário que a vida madrasta não lhe quis dar; enfim, significa também ingressar na vida comum, abandonar-se, ser livre.
Tem padre que canta, tem padre que adora uma televisão, tem padre que não fala e tem padre que fala a verdade como este.
Padre Beto se fez livre, mas liberdade de expressão se mostra proibida pela nossa Igreja Católica.
Nunca se ouviu uma homilia igual, aberta, por que não cultural; isto teve um preço: perdemos uma "gióia" dos domingos; perde também a Igreja, e muito. Ainda tem gente que fala mal dele; talvez por não conhecê-lo ou por nunca ter ouvido sua fala, ou.. por serem coniventes. Seguem a impunidade aos padres pedófilos, os dogmas, o arcaísmo, e a chatice de alguns padres que limitam suas falas.
Já que é assim, se eu fosse o Padre Beto, diria:

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Farei as missas que quero
Na capela que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Sem medo da censura
Posso falar livremente

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro
De praticar a evangelização".


Paulo de Marchi Sobrinho - Advogado