A mídia leiga aborda temas de ciência e saúde, até opinando sobre eles, mas alguns pesquisadores e profissionais, esporadicamente, enviam textos questionando a validade dos jornais e revistas exporem estes artigos e notícias.
Liberdade de expressão vale para todos e foi se o tempo onde o linguajar rebuscado servia para reserva de saber pelo uso de vocabulário ou jargão técnico. Hoje, bem ou mal, o Dr. Google resolve o problema e faz tradução para todos. O bom jornalismo deve oferecer ao leitor o que ele quer, mas também o que ele nem sabe que quer, fazendo o importante virar interessante.
Foi se o tempo que o conhecimento estava dividido em quintais. A universidade nasceu de um grupo de jovens que queriam saber de tudo ao mesmo tempo. O mundo é transdisciplinar, todos podem viajar e divagar no tempo e espaço onde estiver o conhecimento. Que se tenha competência e oportunidade para que qualquer um possa aprender o que se proponha a dominar e aprofundar.
As pessoas querem saber, dizia o poeta, e têm o direito à oportunidade de saber. Viva as bibliotecas e bancos de dados, abaixo as restrições e quintais. O modelo chinês de economia só não é mais dinâmico por que investidores não acreditam que bilhões de chineses ficarão submissos por muito mais tempo. Uma hora a rebelião pode acontecer, ninguém segura nem o novo, nem o conhecimento! Nem na idade média os seus dominadores conseguiram! Ainda bem.
Decisões envolvendo pacientes e famílias cada vez mais devem ser discutidas, explicitadas e com base em dados científicos. Os leigos também sabem que o melhor conhecimento deriva da ciência e requer bases metodológicas para a tomada de decisão, inclusive no comprar algo.
O jornalismo científico no Brasil ganhou qualidade e popularidade com José Reis, que empresta seu nome ao maior prêmio da modalidade outorgado pelo Conselho Nacional de Pesquisa. Alguns colegas se especializaram no jornalismo científico e fizeram-no uma disciplina própria do currículo nas faculdades.
Não há veículo de comunicação que não tenha uma seção especializada em ciência. Se enganarão cientistas, pesquisadores, médicos, dentistas e outros, se planejarem suas carreiras e instituições sem criarem e alimentarem uma interface com a sociedade, explicando a ela seus avanços, dificuldades e limitações.
As verbas das pesquisas vem dos tributos que a sociedade paga. A ela devemos retornar com esclarecimento, respeito e principalmente muita informação atual e acessível para que até o mais simples do cidadão alfabetizado possa beber desta fonte que ajudou construir.
Para transformar a informação cientifica rebuscada em simples, o caminho é seguir três frases:
1. O difícil é ser simples, de Manuel Bandeira, um de nossos poetas. Para ser simples se requer muito conhecimento e a construção de vários formas de expressar a mesma ideia e escolher aquela que mais se assemelha à mais profunda teoria ou hipótese. Ser simples representa profundidade e objetividade ao mesmo tempo.
2. Não se enganem senhores, ser simples requer muito trabalho, de Clarice Lispector, uma poetisa maravilhosa. O tempo desprendido para tornar simples o complicado e embolado é impagável, mas a recompensa é imensurável! Muita criatividade se requer para chegar ao simples e profundo, mas requer muito trabalho.
3. A simplicidade é a complexidade resolvida, de Constantin Brancusi, escultor romeno. Ser simples significa que o complexo e inatingível passou a ser compreendido pelo mais simples dos leitores.
Os profissionais que se irritam e afirmam que a mídia leiga não deveria escrever ou opinar sobre os assuntos técnicos, científicos e tecnológicos, apresentam um viés totalitário e elitista. Isto não cabe no mundo onde toda a informação se disponibiliza para todos os segmentos da sociedade. Nossos cérebros são iguais; o que nos diferencia um dos outros foram as oportunidades oferecidas e as opções realizadas!
A Banda U2 na música Miracle Drug declara: “In science and in medicine, I was a stranger, you took me in” ou “Na ciência e na medicina, eu era um estranho/ignorante e você me acolheu/tratou!”. Até o mais crédulo e simplório dos homens sabe que com esta afirmação de cega credulidade, este homem não seria minimamente responsável consigo mesmo! Que saibamos cada vez mais, para entender o que fazem com a gente, não importa se na medicina, política ou religião!
Queremos saber: para questionar!